• Karol Beduschi

Decidindo o futuro.


Sabe mãe de primeira viagem? Sou uma bem clichêzinha. Às vezes posso até exibir esse ar meio desencanado, esqueço de por blusa de frio na bolsa (o Jó sempre lembra) e não me encano muito em embarcar em aventuras, mas lá no fundo possuo boa parte dos anseios de toda mãe humana.


Qual tipo de educação meus filhos irão receber é uma delas.


Tudo começa bem antes, quando nasce o ser humano e cai aquela tonelada de responsabilidade na sua cabeça (é da minha natureza abraçar responsabilidades, quanto mais melhor) e você começa a correr atrás de todas as melhores práticas para garantir que seu filho irá se desenvolver corretamente, maravilhosamente, de forma excelente. Quem não? Eu, que não sabia quem era Piaget, Maria Montessori e Rudolf Steiner, tratei logo de abraçar tudo que me parecia mais atualizado, com aparência das melhores práticas pra aprender. Eu pesquisava atividades para bebês (devo ter feito no muito, 3, Mathias coitado nem conheceu do que se trata) eu queria indicações de livros, eu comecei a ler os currículos das escolas e fantasiava bastante. Sofro do que eu gosto de chamar de "síndrome Amélie Poulain" e todo seu universo paralelo.


Namorei com o homeschooling. Me parecia perfeito até eu começar a me aprofundar no assunto e suas nuances. Me coloquei de frente pro espelho e me fiz repetir pra mim mesma a verdade dos fatos: eu não sou pedagógica, não tenho veia nem paciência e sendo honesta, vontade de ser. Fiz aquele check up de motivações e elas eram todas erradas. Dei um selinho e parti!


Flertei com Maria Montessori. Ela é legal, participei de alguns fã clubes e abracei com carinho a ideia da autonomia, eu amo, mas tudo tem limites e não dava pra me entregar por inteiro. Aprendi boas prátícas. Agradeci os bons momentos. Me compadeci das camas de casinha sendo atreladas a sua imagem e parti.


Me apaixonei (tenho um amplo know-how) por Waldorf. É verdade, não posso negar. Me tornei devoradora de tudo que vinha do "Antes que eles cresçam". Aliás, recomendo os lindos e inspiradores textos. Fantasiei o espaço, as comemorações de aniversário, as aulas de crochê e artes. Eu sei, eu sei...os críticos religiosos esbarrariam em algumas das propostas mais místicas, mas eu não posso mentir. É uma paixãozinha. Não existe nada muito semelhante em Vitória, então ficamos só na distância (uma das minhas principais competencias curriculares). A gente ainda se encontra de vez em quando...


O tempo foi passando, a idade dita escolar se aproximando e precisávamos tomar uma decisão (baseada na vida real mesmo).


Foi aí que surgiu o método pedagógico Karol e Jó Beduschi. Este, foi criado com base na realidade, no possível, no melhor cenário dentro das nossas condições. Ele foi elaborado com base no que acreditamos ser o melhor pra nossa família e se encaixa no nosso perfil. Não se baseia nesse ou naquele, mas quer todo um conjunto, trabalho em equipe, com foco em qualidade e diversidade sem neurose.


Vou responder, me baseando neste método que não aspira ser nem infalível, nem engessado e que não oferece garantia nenhuma, algumas das perguntas que ouvi/li ao longo dos 4 anos e 9 meses (da Ana Luiza):


- Quando você vai colocar ela na escola?

Optamos por manter a Ana Luiza em casa até a idade obrigatória escolar. Quando optei pela pausa na tradicional carreira profissional para estar em casa, tinha o intuito de estar presente, viver intensamente, construir de forma sólida a base de uma relação, conhecer os meus filhos como ninguém neste mundo e dedicar-me a trabalhar questões de caráter e educação que só a janela da primeira infância me permitiria, e isto requer tempo e muita, muita dedicação. Eu sabia que colocar ela na escola mais cedo, me roubaria muito do tempo e também não havia uma real necessidade.


- Você não acha que ela vai ficar muito atrasada (em termos de conteúdo/aprendizado) em relação as outras crianças?

Sim e não. No fundo eu lia e acreditava que não, mas tive momentos de dúvida e inseguranças graças aos comentários e comparações desnecessárias por parte de outras mães. Conhecendo a Ana Luiza, sempre soube que a desenvoltura dela, sua curiosidade aguçada e tudo que vivemos nos primeiros anos, iriam ajudá-la a superar qualquer dificuldade. Outro ponto crucial é que eu nunca tive a pretensão de jogar minha filha na escola e dizer "se vira"! - Vale dizer que já na primeira semana a professora disse que ela está ótima, se saindo muito bem! -


- Vocês vão educá-la em casa?

Sim. A gente segue educando nossos filhos e pretendemos fazê-lo por muitos anos (acho que minha mãe faz até hoje), não os abandonamos e nem entregamos à desconhecidos, só que agora a gente conta com o auxílio de terceiros. Nossa metodologia contempla uma educação bem ampla, proporcionando as mais diversas experiências complementando o que o ensino formal não consegue atender.


- Qual linha pedagógica vocês escolheram?

Bom, a escolha da escola foi um processo. Lembram da trajetória no início do post? Ela me levou a conhecer e pesquisar algumas opções na grande Vitória, enquanto estávamos morando por lá. Aqui em Coqueiral só existe duas opções de ensino infantil da rede privada. A primeira que visitamos é uma escola tradicional do bairro com mais de 20 anos de experiência e que é muito elogiada por absolutamente todos os pais com quem conversamos. Visitamos a escola, gostamos muito das pessoas mas eu esbarrei no comentário que seguia o elogio de todos os pais "é muita lição de casa, é bem puxado!" Quando visitamos, vimos que de fato essa é uma característica da escola da qual elas se orgulham muito: o ensino é tradicional e com uma carga de ensino formal considerável. "Todos os nossos alunos terminam o ensino infantil alfabetizados." Isso me incomodou porque não é de longe o que eu queria, essa carga pra uma criança de 4 anos. Aproveitar as janelas de oportunidade, a curiosidade eu acho excelente, mas impor uma padronização, não. Eu fiquei esperando, protelando a matrícula. A outra opção do bairro estava em fase de transição. A escola que estava ocupando o espaço estava saindo e uma nova direção/proposta iria assumir. Fiquei meio assim de colocar ela em algo novo. Um dia no clube estávamos na piscina e começamos a conversar com o pai de uma menina da mesma idade e ele nos falou da escola. Disse que ela estudava lá porque a linha pedagógica agradava muito. Falei pro Jó que eu queria ir conhecer e ele me deu aquela olhada de "mas não estava decidido criatura?"

No dia da visita eu de fato me decidi. Amei tudo que vi, ouvi. A primeira coisa foi que a escola gostava de usar um pouco de cada coisa das propostas pedagógicas existentes, mesclando o que eles entendem ser o melhor de cada uma. Ela me disse que não acredita em fórmula pronta. Falamos muito sobre brincar, sobre alfabetização precoce/imposta, em ritmo de cada aluno, flexibilidade, falamos sobre o espaço da escola (que é delícioso), as aulas, sobre o bairro, sobre sermos vizinhas, etc. Foi um papo tão legal, criamos uma afinidade ali mesmo e eu saí animada e em paz.

Acho que acertamos mesmo. Até agora não posso reclamar de absolutamente nada. O ambiente é delicioso, as pessoas claramente amam o que fazem e procuram fazer com excelência e carinho. A escola parece uma continuação da nossa casa, do bairro...ela mescla com a proposta do estilo de vida daqui. Um exemplo, é que estes dias choveu à tarde e o Jó estava de carro em vitória e eu de bike. Liguei na escola e eles já me ajudaram a achar o numero da "tia da Kombi" que faz o transporte aqui no bairro. Liguei, combinamos tudo, ela me trouxe a Ana Luiza (que agora só quer ir de Kombi hahahah) e enfim tudo se resolve facilmente e todo mundo tem a disposição real de facilitar a sua vida, de te ajudar. Esse senso de comunidade faz meu coração bater um pouquinho mais forte, e é uma cultura da escola. Finalizando dizendo que, eles fazem as comemorações de aniversário bem semelhantes às das escolas Waldorf e eu quase chorei quando li. Sigo apaixonadinha.


-Como foi a adaptação da Ana Luiza?

Não teve...rs.. A verdade é que foi um processo muito natural, que ela desejava muito viver e que nós entendemos que ela estava pronta. Foi super tranquilo e ela ama.Ela vai e volta feliz, desde o primeiro dia. Quando ela chegou eu estava apreensiva. Ela me deu um beijo e disse que eu podia ir porque ela ia brincar com as bolas de sabão e qualquer coisa ela mostrava o número do meu celular que estava na etiqueta da lancheira pra eles me ligarem. A segurança dela me deixou tranquila mas umas lagrimas rolaram no carro, obvio porque como eu disse, eu sou bem clichêzinha.

A sala dela tem 5 alunos rs.. Ou seja, é tudo pequeno, intimista, ela já conhece boa parte das crianças fofas das turmas menores e sempre me apresenta à algum serzinho apertável novo. Ouvi da diretora que ela anda fazendo sucesso com tanta simpatia e educação....O que mais uma mãe pode querer, não é mesmo?


- E o Mathias?

O Mathias ainda ficará em casa aproveitando as sonecas da tarde, o quintal, um momento de exclusividade. Ele sentiu bastante a ausencia dela e sempre me pede pra ir busca-la quando acorda à tarde. Ele também agora tem um discurso de que quer crescer para ir à escola. Uma coisa fofa. Achei que a relação deles deu uma mudada nesses primeiros dias. Eles ficaram ainda mais grudados e ele fica maluco quando ela chega da escola pra brincar junto, é uma especie de saudades. Mas o dia que ela parou aqui em casa de Kombi....eu achei que ele fosse ter um ataque cardíaco de tanta emoção. "Nanáaaaa eu vi você descer da Kombi!!!!!!!!!!!!!!!"


- Você pretende voltar a trabalhar quando eles estiverem na escola?

Colegas, eu nunca deixei de trabalhar, só mudei o ramo e a intensidade, que ficou maior. rs... Eu não pretendo voltar a trabalhar em escritório, formalzona, carteira assinada, carreira executiva, levando patada dos outros pra deixar terceiros ricos enquanto minha alma é sugada. Fica muito distante do que eu quero oferecer pra minha família em termos de presença, saúde mental e emocional e qualidade/quantidade de tempo despendido. Não conseguiria viver o que vivo me doando a uma empresa. Existem outros trabalhos mais flexíveis que eu faria. Por ora eu invisto no que eu gosto de fazer, no que me dá prazer fazer como se fosse um hobbie: comunicação e mídias sociais. Não me dá salário fixo mas me dá liberdade e flexibilidade pra viver o que eu acredito. Se algum dia trouxer renda fixa, aí vai ser perfeito. hahahaha


- Como você responde à pressão das pessoas sobre ela ainda não estar na escola?

É chato, mas tudo que envolve criação de filhos e as nossas escolhas é chato. Sempre tem um conselho, um caso, uma opinião. A melhor coisa é estar tranquila quanto ao que você escolheu. Não precisa ser grossa, ouvir, sorrir e acenar faz parte do roteiro. Quando era alguém próximo que eu tinha liberdade suficiente eu respondia superficialmente e pronto. Discutir mesmo, não vale a pena. Vale a pena estar em paz, com Deus, consigo, seu cônjuge.


- Ana Luiza pedia pra ir à escola?

Sim. Bastante, mas sempre disse a ela que o momento chegaria. E chegou. Estávamos numa fase que ela passar o dia todo em casa já não estava legal, ela precisava de atividade mais direcionadas que eu, não tinha condições de oferecer, por n motivos.


- Ana Luiza assiste televisão?

Sim, fui aquela mãe que segurou tecnologia e exposição a TV. Foi ótimo, mas com a chegada do Mathias eu louvo a Jesus pela invenção da TV. Ela me ajudou principalmente na hora da sagrada soneca da tarde! Era a hora dela assistir um "pisódio". Mathias também já assiste mas ele tem infinitamente menos paciência pra ficar sentado assistindo. Ana Luiza gosta! Hoje em dia a regra é que TV fica para os finais de semana.


Acho que cobri tudo!


Finalizo lembrando que: a melhor forma é a que você e a sua família constroem com base nos seus valores, princípios, planos, visão de mundo, deste e do eterno. Eu sei hoje exatamente o que eu não quero. E desenho à medida que eles crescem o que eu entendo como sendo um ensino de qualidade, voltado não para performance ou superioridade intelectual, mas a formação um ser humano como um todo. Quero que meus filhos saibam o seu valor e sua identidade, sem a necessidade de enquadrar-se aqui ou ali. Quem os criou, tem para eles planos, muito além dos que eu possa traçar ou almejar. Sou facilitadora do processo, responsável por treina-los e apontar o caminho para que eles possam por conta própria, quando chegar a hora, escolher qual querem trilhar. Me apego mais a semeadura de pequenas sementinhas do que a muitas outras coisas tão superficiais e passageiras. Nossos filhos serão reflexo das nossas escolhas.


Relaxa colega, a vida é boa pra ser vivida e quanto mais leve e livre...MELHOR!


um beijo!

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