Solidão.




Olá!

Quanto tempo, né?

Sinto muita falta de escrever aqui. Tem tantas coisas que acontecem e transformam diariamente, mas no fim do dia me falta principalmente ânimo. O mesmo com os vídeos. Tenho uma série de vídeos gravados que faltam tão somente serem editados, mas não tenho encontrado oportunidade (energia). Estou vivendo o tempo que tenho que viver, priorizando o que eu creio ser prioridade, correndo contra o tempo que passa rápido demais e as oportunidades ficam para trás. Tenho morrido. Everyday. Voluntariamente (nem sempre com o contentamento que eu deveria), mas é nisso que eu acredito. :)

Recentemente fizemos uma viagem em família e passando tanto tempo dentro de um carro, foi possível conversar bastante, pensar bastante, ler, refletir. O texto abaixo eu li no meio da estrada. Li e reli algumas vezes porque eu achei ele tão claro, tão real, tão direto e útil que resolvi traduzir e disponibilizar aqui para toda e qualquer mãe, mas principalmente as recém chegadas, as que estão descobrindo o que de fato acontece pós-parto internamente. Assim como para todas as demais que estejam aí se dedicando, se doando e em busca de um pouco de empatia, de compreensão. Alguém que entenda o que ela está passando e que vislumbrou o sentido de tudo.

O original está AQUI. Inclusive, minha irmã Suzana, é parceira deles e faz as traduções inglês/português e ela também escreve AQUI, mas como ela ainda não é mãe (QUERO SER TIA, apressa! - Agora é a minha vez! haha), talvez demore um pouco até ela começar a aparecer com essas preciosidades traduzidas.

Apreciem sem moderação!

Mesmo sozinhas, as mães nunca estão sozinhas. 

Tornar-se mãe muda tudo. Há tantas coisas das quais não somos informadas quando assinamos os papéis da alta no hospital. É claro que te preparam para coisas do tipo, como amamentar, trocar fraldas e coisas de higiene em geral, mas não te contam quão exausta você irá sentir-se naqueles primeiros dias, nem da insegurança que irá sentir quanto à sua capacidade materna, ou ainda quão solitária você vai se sentir quando de repente, se der conta de que você vive uma espécie de prisão domiciliar todos os dias. (Groundhog day)

A maternidade é a experiência mais empolgante, mas é também a com maior capacidade de isolamento.  De um dia para o outro você vai de pessoa com a vida social mais ativa e agitada à pessoa mais caseira de todas e que passa três dias sem nem trocar de roupa. Todo mundo entende que sim, a maternidade nos transforma, mas ninguém está muito preparado para a maneira como a maternidade nos transforma. 

Propósito da Solidão:

É difícil enxergar qualquer propósito para as nossas circunstâncias quando elas são preenchidas com pirraças, golfadas entre outras realidades cotidianas da vida materna; contudo, é inegável que uma mão soberana rege todas as coisas. No período em que vivemos exclusivamente como mães, a solidão parece ser nada além do que a cereja no topo de um bolo já bastante amargo. Elisabeth Elliot escreveu sobre a nossa solidão;
Solidão é um tipo de "morte"que muitos de nós vem a conhecer mais cedo ou mais tarde. Longe de ser algo "ruim" pra nós, um impedimento para nosso crescimento espiritual, ao contrário, este pode vir a ser o meio para um florescer espiritual que até então não havia ocorrido. A beleza de uma rosa completamente desabrochada, sua completa "realização" depende do seu  constante morrer e reviver....Na economia de Deus, quer ele esteja fazendo uma flor ou um ser humano, nada acontece por acaso. As perdas, são a Sua maneira de conquistar os ganhos. 
Como todas as outras dificuldades que encaramos na vida cristã, a solidão é parte do plano amoroso de Deus para que todas as coisas cooperem (Romanos 8:28).  Então, os dias aonde os únicos seres humanos com quem você conversa, são aqueles que só formam frases de duas palavras ou só balbuciam, não são dias de perda nem pra Deus nem pra você. É a preparação para o peso de uma glória sem igual (2 Cor. 4:17).   

Esse morte diária para nós mesmas também não é algo exclusivo à maternidade. Como cristãos, somos chamados a morrer para nossa própria glória e desejos constantemente. A morte solitária e dolorida do filho de Deus, nos garantiu vida. Assim, toda pequena morte para os nossos desejos durante nossa jornada materna, nos permite participar do sofrimento de Cristo (1 Pedro 4:13). A morte da nossas interações sociais e a diversidade no nosso dia a dia, significa vida para as nossas crianças. E nunca é em vão.

Esperança para o solitário 

Na teoria parece muito nobre dizer que estamos morrendo pelos nossos filhos diariamente, mas geralmente o sentimento não é nem um pouco maravilhoso quando eles começam a chorar nos chamando antes mesmo do sol nascer, ou quando perdemos mais um culto porque nossos filhos estão doentes ou precisam da nossa presença no berçário. Nestes momentos nós frequentemente pouco nos importamos se a nossa solidão significa vida para os nossos filhos. A gente só queria poder conversar um pouco com os nossos amigos.Ainda bem que podemos nos respaldar em algo além do nosso débil esforço para suportar tamanha solidão. 

Cristo esteve só para que nós nunca estivéssemos sós. E Ele nos garante que, mesmo respondendo de forma pecaminosa à nossa solidão, Ele nos dará a graça de nos arrepender e reagir diferente na próxima oportunidade. Mesmo nos dias mais reclusos, quando tudo que você faz é amamentar, limpar e segurar um bebê o qual você nem tem muita certeza se ele sabe que você está ali, você não está sozinha. A solidão que você sente pode ser tragada pela maravilhosa realidade de que Cristo nunca te deixará. Ele é o nosso consolo quando estamos nos debulhando em praticamente a mesma quantidade de lágrimas que o nosso bebê com cólicas. Ele é a nossa força quando pensamos não ser possível levantar para mais uma mamada no meio da madrugada. Ele nos sustém quando desabamos no sofá após um longo de dia de cuidados com nossos pequenos. E ele é a nossa justiça quando, em um momento de frustração por tanta privação de sono, nós falhamos com nossos filhos. 

Em poucos meses de maternidade já aprendi que não posso iludir as pessoas a crerem que estou dominando o assunto. Também aprendi que mesmo nos dias mais esgotantes e solitários, meu Pai celeste me segura com suas mãos amorosas. Ele ordenou esses longos dias para a minha alegria. 

Sim, a maternidade é um trabalho árduo. É um trabalho solitário. É um trabalho que nem sempre gera um resultado compatível com o investimento, mas é um trabalho que espelha Cristo. Todos os dias morremos para nós mesmas, quer seja pela falta de sono, de tempo ou de interação social, nós estamos tomando a forma de servas no mesmo espírito que nosso Cristo (Filipenses 2:7). E é belo aos olhos de Deus. 

Crianças são presentes preciosos. Não há nada mais precioso do que admirar a vida que Deus criou dentro de você (ou de outra pessoa). Os longos dias que passamos sendo mães para os filhos, tem uma significância eterna que, se Deus permitir, algum dia renderá muitas recompensas. Até lá, trabalhamos. Esperamos. Clamamos àquele que verdadeiramente compreende o significado de dar a vida pelos seus.

Até breve (ou não). 


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