Vida de mãe: Desculpem-nos os transtornos.


olha essa cara de quem manja e controla tudo! É mentira...


Em tom de brincadeira aprendi com as amigas que o vexame na maternidade é certo, então aproveite os dias em que eles não acontecem e encare da melhor maneira possível quando acontecerem.

Chegou a minha vez.

Por volta dos dois anos as crianças passam pela "adolescência" da infância. É quando tomam conhecimento da sua independência, capacidades e vontades e explicam os estudiosos que tudo isso decorre de um processo neurológico que as levam a agir como agem. Acredito nisto e também acredito no que diz a Palavra sobre as crianças. Por isso tantas vontades, rebeldia, birras... estamos iniciando esta fase de descobertas com a Ana Luiza, ela já sabe muito bem o que quer e principalmente o que não quer e como fazer-se entender. Algo plenamente normal para a idade e a natureza dela e a oportunidade de ouro dos pais de ensinarem o caminho aos seus filhos (pv. 22:6), o que engloba uma série de aprendizados para ambos os lados. Engana-se quem acha que vai ensinar muitas coisas ao filhos. Errar, aprender, redimir-se também faz parte do pacote do nosso lado.

Apesar de ser uma fase delicada e extremamente exaustiva (mentalmente, fisicamente, psicologicamente e espiritualmente), não quero dar ênfase aos sentimentos dela, mas aos meus. As minhas descobertas com toda essa nova dinâmica têm sido, no mínimo, interessantes.

Uma situação normal, nem um pouco atípica, comemos fora com certa frequência e na medida do possível ela nos acompanha aonde formos. Às vezes pode acontecer um ou outro episódio fora do previsto, mas ela já está bem acostumada ao cenário e sua dinâmica. Neste dia ela resolveu que era uma boa oportunidade expressar-se de forma imperativa e deixar todos ao nosso redor entenderem que ela não estava satisfeita com a diretrizes que estávamos passando. TODOS. Em alto e bom som, se é que me entendem.

Eu quis morrer. Cavar um buraco na terra, me enfiar, tapar e sair no Japão. Eu estava impossibilitada por n motivos de fazer qualquer coisa se não olhar. Eu repetia dentro de mim que nunca mais ia sair, que nunca mais ia esquecer aquela vergonha. Eu me irei muito. Muito. Multiplique por 500.
Respirei fundo várias vezes e tentei prosseguir com o curso natural da ocasião, só que muito irada. Muito.

Como tudo, passou e ao findar do dia enquanto tomava banho me questionava o que eu tinha feito de errado ou não feito que justificasse o episódio. "Tenho me doado tanto, tenho tentado tanto acertar, tenho feito a lição de casa tão direitinho, qual o problema?" Perguntei e fui devidamente respondida.

Existiam dois problemas na situação. Um era visível, palpável e não precisava ser muito perito no assunto para enxergar ou ouvir. O outro, estava escondido lá no fundinho do meu coração. Era o orgulho. Meu orgulho estava sendo exposto e escancarado por algo que fugiu completamente ao meu controle. Exatamente! Controle! Como assim não posso controlar isto? E agora? Como fica minha imagem de mãe perfeita detentora do controle da situação 24h/dia? Olha estas pessoas me olhando como se eu fosse uma mãe frouxa, permissiva, omissa e leviana com os princípios que quero passar! Ah...o meu orgulho.....ele ficou no fundo daquele prato e pedi a Deus que levasse o que tinha sobrado por aquele ralo abaixo.

Foi a perfeita ocasião para enxergar como eu sou orgulhosa e egoísta. Se tudo tivesse saído do meu jeito, a filha seria perfeita, a mãe perfeita e o orgulho intacto. Deus não quis assim. Ainda bem. Fui lembrada que o trabalho é diário, repetitivo e os frutos não são imediatos. Também sou imediatista, quero tudo funcionando já! Me vi buscando interpretar o papel de quem detém o controle de tudo, sempre. Vivendo uma aparência que não retrata a realidade. Não é assim que funciona, Karoline...não é você quem controla, ouvi. Misericórdia, domínio próprio, longanimidade...

Ficou o aprendizado. Espero ter aprendido. Sei que outros testes virão.

Minha filha não é perfeita, não agirá perfeitamente sempre e estamos trabalhando arduamente para que ela aprenda algumas coisas importantes, mas que requerem tempo. Requerem misericórdia, longanimidade, exemplo. Sua mãe não é perfeita, não detém o controle da situação sempre e muitas vezes lhe falta humildade, longanimidade e misericórdia. Olhamos para Aquele que é perfeito e que é abundante em misericórdia e que de forma amorosa e longânima nos ensina, nos corrige e nos dá o perfeito exemplo.

Desculpem-nos os transtornos. Estamos em obras.

Obrigada, Pai!










Comentários

  1. Que legal ler isso.
    Muito bom ter o Senhor pra lhe mostrar rapidamente como tudo funciona.
    Ele não sai do controle, mas nós sim...
    Passei por várias situações parecidas, e ainda existem ocorrências, porém, em menor quantidade... Estamos em obras, não sei dizer até quando.
    Quando precisar, estamos aqui. Bjs

    ResponderExcluir
  2. Falou comigo d+ Karol. O Nicolas e muito bonzinho... e eu tento sair quando sei que ele dormiu bem se não eu nem me atrevo pra não ter problema da rua. Eu admiro muito como você sempre analisa as coisas da perspectiva bíblica. Acho muito lindo e me ajuda muito a ser uma mãe melhor. Beijão nas duas.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Então... eu achava que sabia muita coisa sabe, mas acho que o que mais tem me ensinado sobre ser filha, sobre Jesus...tem sido a maternidade! Em todos os aspectos e principalmente sobre mim mesma, vejo o quanto preciso do Senhor e o quanto preciso depender dEle para dar conta desse trabalho tão importante que é gerar discípulos de Jesus dentro da nossa casa. Que responsa!!! Fico feliz demais em saber que as palavras chegaram até você! MESMO! Seguimos a cada dia... aprendendo e ensinando!!! Bjs!!!

      Excluir
  3. Sim sim! Nosso orgulho é visivel nestes momentos,né? Quantas mulheres não julguei ao ver seus toddlers se arremessando no chão no supermercado, gritando ao terem que entrar no carro... Agora é a minha vez de ser essa mulher louca com um filho que sai correndo no meio de uma praça de alimentaçao lotada... E fico mais grata cada vez que alguem me olha com amor e me oferece graça, graça esta que muitas vezes me neguei a dar a outras pois achava que obviamente faria melhor quando fosse mãe.

    ResponderExcluir

Postar um comentário

Caro leitor,

Obrigada por tirar um tempo para comentar aqui. Ficarei muito feliz em ler seu comentário e responderei assim que possível. Um beijo!

Postagens mais visitadas deste blog

Parto Domiciliar do Mathias | A trajetória

Bon Appétit: Wrap de Alcatra e Cheddar

Inspirando...babies!