VIDA DE MÃE: CONALCO - PALESTRA I



Olá pessoas!

Quero muito (e vou) escrever sobre o aniversário da Ana Luiza, mas esta semana está acontecendo um evento muito legal e quero poder compartilhar aqui no blog as informações e aprendizados. Trata-se do CONALCO, o Primeiro Congresso Online de Atualização em Alimentação Complementar. A MELHOR PARTE? GRATUITO. 

Já falei aqui outras vezes sobre a Aline do @tanahoradopapa, pois ela é a idealizadora deste projeto, que reuniu diversos profissionais altamente capacitados que estão difundindo informação de alta qualidade. Como eu já imaginava, as palestras contarão com conteúdo atualizado, direto e prático, não dá pra ficar fora dessa! Quem quiser, ainda dá pra se inscrever no site, clique AQUI

Vou tentar escrever pelo menos sobre uma palestra por dia! Com certeza minhas anotações podem ajudar, mas vale a pena cadastrar-se e ouvir as palestras, elas são online então dá pra fazer almoço ouvindo, passar roupa, cuidar do bebê, amamentar e se informar! 

Lembrando que a informação só é poder quando você usa esta informação que recebeu e a aplica. Ter informação por ter informação não significa NADA, você será simplesmente uma pessoa inchada de dados. :)

A primeira palestra foi com a Simone de Carvalho e o tema abordado foi: 

A tomada de decisões na maternidade: como ser um participante ativo na introdução alimentar do seu bebê

Um pouco sobre a palestrante: 
Pedagoga com especialização em Psicologia da Educação pela PUC/SP Mestranda do Centro de Investigação em Pediatria – Saúde da Criança e do Adolescente – UNICAMP Membro do Comitê de Ética da FCM Fundadora da AMS Brasil - APOIO MATERNO SOLIDÁRIO Organização Comunitária sem fins lucrativos Apoio à Maternidade, Empoderamento Materno e Acolhimento da Mulher http://www.facebook.com/AMSBrasil

A Simone trabalha bastante a questão do empoderamento e abri a palestra explanando um pouco sobre o termo, que de forma simples, significa buscar a informação e agir de modo consciente e seguro em determinada situação, seja no gestação, lactação, parto, criação, etc.

Este empoderamento é fundamental para que a mulher sinta-se segura nas suas decisões e consequentemente transmita esta mesma segurança ao bebê. Toda mãe de primeira viagem já se sentiu (sente!) insegura e empoderar-se é o caminho para uma maternidade mais consciente. Isto pode acontecer com base em literatura, experiências dentro de um determinado grupo ao qual você faz parte, redes de apoio...

Visando trabalhar este empoderamento, a Simone apresentou 05 fatores que influenciarão diretamente na introdução alimentar do seu bebê:

1. A cultura alimentar do país;
2. Como a sua família se relaciona com a comida;
3. Como você se relaciona com a comida;
4. Tranquilidade 
5. Persistência;

Em seguida ela abordou ponto a ponto:

1. A CULTURA ALIMENTAR DO PAÍS: 

Olhando para a nossa cultura brasileira de introdução alimentar, notamos alguns padrões:
a. Papinhas Pastosas;
b. Excesso de sal;
c. Excesso de açúcar;
d. Introdução alimentar precoce (ANTES DOS 6 MESES): aqui entra muitas vezes, o parente, o amigo, aquela pessoa que está em um almoço de família por exemplo e começa a dizer "TADINHO, ELE ESTÁ AGUANDO...MORRENDO DE VONTADE." É preciso ser firme neste ponto. Ele não tem vontade do que não conhece. Ele pode estar curioso com a aparência, o som, o fato de estarem levando aquilo à boca, mas não que ele esteja com vontade.
e. Resistência aos pedaços: isto geralmente vem de um familiar mais antigo, uma vó, uma tia que por medo, ou por alguma experiência infeliz, acaba afirmando que não se deve dar pedaços pro bebê. "Pelo amor de Deus não dá nada inteiro pra esse bebê porque ele vai engasgar." Quem nunca ouviu isso?
e. Açúcar = Prova de amor. QUEM nunca passou por uma situação destas? Este é um sentimento enraizado na nossa cultura. SABEMOS que o açúcar é prejudicial à saúde e mesmo assim, oferecemos aos nossos bebês ou somos pressionados a deixar, como se o açúcar fosse uma prova de amor. Crianças abaixo de DOIS ANOS DE IDADE NÃO DEVEM CONSUMIR AÇÚCAR. (Eu mesmo já errei feio nisso e levei um cupcake para o filho de um casal de amigos no aniversário dele de um ano [ignorância pura]. Pois bem, pra minha alegria profunda, no aniversário da Ana Luiza me deparei com ela devorando um macaron que alguém deu pra ela sem a minha autorização. A consequência foi uma boa dor de barriga e diarreia, triste, mas aconteceu).

Ainda apresentou algumas situações recorrentes:

 "Só come isso": é muito comum, todo mundo já ouviu sobre uma criança que só come determinado alimento ou uma variação ínfima, muitas vezes nada nutritiva. Por falta de conhecimento, persistência e uma boa dose de orientação, muitas mães acabam cedendo. A Simone relatou uma caso que atendeu no consultório de uma criança que se alimentava de miojo e batata a 6 anos, porque era o que ele comia.

"Melhor comer isso do que morrer de fome": Novamente a falta de conhecimento, tranquilidade, persistência fazem a mulher acreditar que seu bebê irá morrer de fome ao rejeitar um ou outro alimento. TODOS OS BEBÊS FAZEM CARETA ao experimentar um alimento. Isto não significa que ele não gostou, não significa que você deve desistir de tentar e tentar e tentar.

2. COMO A SUA FAMÍLIA SE RELACIONA COM A COMIDA:

A Simone comentou uma frase muito importante - O EMPODERAMENTO DA MÃE = EMPODERAMENTO DA FAMÍLIA

Uma das situações mais recorrentes no cenário materno é a RETIRADA DO FOCO DA MÃE e transferência para a FAMÍLIA. Como? Com comentários, insinuações e exemplos que levam a mãe à acreditar que ela NÃO ESTÁ APTA a cuidar e nem nutrir o seu bebê. EXEMPLOS CLÁSSICOS:

- Um parente chega na sua casa, seu bebê chora e ele prontamente diz: Este bebê está com fome! Assim, categoricamente, como se você MÃE não soubesse quando o seu bebê sente fome. Devido a toda fragilidade acompanhada da chegada da maternidade, se está mulher não estiver EMPODERADA ela mesma passará acreditar que ela não dá conta do recado. "Você tem pouco leite", "Seu leite não sustenta", são alguns dos (INFELIZES) comentários que geram esta dúvida nas mães e que posteriormente serão apresentados também na fase de introdução alimentar, fazendo com que esta mãe novamente sinta-se inapta de tomar as decisões pertinentes aos sólidos.

- Fórmulas mágicas: Toda família tem alguém que tem uma formula mágica pra fazer o bebê comer determinado alimento. Na maioria das vezes é aquela mega sopa, bate tudo e pronto o bebê está comendo beterraba. A verdade é que ele não está de fato comendo a beterraba, pois muito provavelmente o dia que ele ver a beterraba ele não vai saber o que é, a textura que tem e nem o gosto. Lembram do biotônico fontoura? Ele é outra fórmula mágica para as crianças que não tinham apetite. Ela disse que ela mesma tomou vários desses abridores de apetite e que agora ela sofre pra fechar o apetite...rs... Quem nunca?


3. COMO VOCÊ SE RELACIONA COM A COMIDA: 

Eu achei este ponto fantástico e ele não poderia ser mais verdadeiro: SEUS FILHOS VÃO COMER COMO VOCÊ COME.

Você agora tem um bebê e quando tomou esta decisão (ou tomou ciência dela) muito provavelmente você começou a se questionar sobre a qualidade do que você come, como iria ensinar bons hábitos e a maioria das pessoas pelo menos tenta adotar melhores hábitos pensando no futuro dos seus filho. Não significa deixar do dia pra noite de comer determinadas coisas, mas as escolhas começam a ter outro peso.

A verdade é que durante a amamentação o seu filho entende que você está fornecendo a ele todo o alimento necessário e isto gera segurança para ele. Esta mesma segurança ele vai ter, quando você passar a fornecer sólidos. Ele vai confiar que você está alimentando-o com o melhor possível. Sendo assim, não espero que seu filho passe anos acreditando quando você diz "OLHA QUE BROCÓLIS MARAVILHOSO!" sendo que você odeia brócolis. Além de ser mentira e você quebrar o elo de confiança, seu filho é um ser pensante que vai passar a questionar porque o prato dele é diferente, porque ele come e você não... Enfim, é preciso mudar a forma como você se relaciona com a comida para que isto possa refletir na alimentação do seu filho. 


4. TRANQUILIDADE

- O principal princípio apontado para a tranquilidade é que toda mulher tem a sua hora de maternar e esta é a sua. Você tem todo direito de errar e acertar assim como aconteceu com a mãe, vó, tia...

- Quanto mais você domina um assunto, mais você terá tranquilidade e segurança para tomar suas decisões. EMPODERE-SE.

- É de extrema importância ressaltar que o bebê é sensitivo e quando ele sente insegurança na mãe, ele também fica inseguro e isto é um fator que atrapalha o bom andamento de uma introdução alimentar. Um dos cenários apresentados pela Simone, é o das mães que precisam voltar ao trabalho e e sentem-se culpadas por ter que introduzir sólidos, ou por ter que deixar o bebê aos cuidados de outra pessoa, na creche, ou ficam em dúvidas com relação a amamentação. Tenha confiança naquilo que você escolheu! 

Quando um bebê nasce ele nasce com uma fita em branco. Isto também diz respeito à alimentação. Sendo assim, um bebê que nasce em uma família que come carne de cachorro, passará a comer carne de cachorro porque foi assim que ele aprendeu.

A referência é o pai e a mãe. Sempre.


5. PERSISTÊNCIA

A Simone apresentou três regras de ouro para o ponto persistência:

1. SEJA CRIATIVA: 
Se o seu bebê não gostou de determinado alimento na primeira oferta, experimente diferentes preparos, modo de cortar, cru, cozido. Seja criativa. (A minha experiência com batata baroa foi assim! Apresentei primeiro em palito e não deu certo, quando apresentei em rodelas, funcionou!) Um outro ponto importante é você tornar a introdução algo PRAZEROSO e não forçoso. Quantos de nós não ouvimos histórias de crianças que comiam com o pai com a cinta ao lado, forçosamente? Difícil sentir prazer em se alimentar assim, certo?

2. SEJA OTIMISTA: 
Acredite no seu bebê! Insista (por favor, não é insistir no quesito enfia a colher na boca da criança e obriga ela a comer guela abaixo)!

3. SEJA REALISTA: 
Aqui vale para a quantidade e também é o caso do brocolis. Não espere que seu bebe goste e consuma todas as frutas e verduras se você não o faz. Seja realista!

A Simone encerrou a palestra com uma frase legal: COMER É EDUCACIONAL.

Você está educando quando ensina a comer! :) Reflita!

Bom, é isto. Espero que tenha sido de alguma valia. Eu particularmente amei a palestra, achei que ela apresentou tudo com muita clareza e de forma dinâmica e de fácil assimilação. Em resumo, o ponto chave é EMPODERAMENTO MATERNO. Leia, pequise, converse com outras pessoas e tenha segurança nas suas decisões e não sinta-se inferior ao errar, faz parte da aventura materna!

Vou fazer um resumo mega ultra super sucinto das outras duas palestras de ontem e já quero escrever sobre a palestra de hoje de manhã que me fez até chorar no final (não é difícil!). MARAVILHOSA!

ESPERO QUE VOCÊS SE INSCREVAM E USEM TODO ESTE CONHECIMENTO A FAVOR DA SUA FAMÍLIA!

Até breve!

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Parto Domiciliar do Mathias | A trajetória

Bon Appétit: Wrap de Alcatra e Cheddar

Inspirando...babies!