Vida de Mãe | O casamento pós-filhos.


Já faz um tempo que eu penso sobre o tema e rasuro ele por aqui. Já fiz enquete com as amigas do grupo de mães via whatsapp, já pensei, refleti, observei, mudei de opinião...

A verdade é que as mudanças estão ocorrendo a todo tempo e são dinâmicas.

Tive um grande companheiro de gestação. Ouviu, leu e pesquisou sobre este processo com paciência por um pouco mais de nove meses. Topou sem titubear se informar e abraçar o parto natural comigo, mesmo quando muitos duvidavam da sua coragem. Lutou junto comigo pela decisão e na hora mais crítica respeitou minha escolha e não me demonstrou em momento algum desespero, pelo contrário, me passou toda segurança e tranquilidade que eu precisava, mesmo estando apreensivo por dentro. Pariu junto comigo. E foi assim que chegou o terceiro elemento da nossa relação.

Seguiu sendo meu grande companheiro frente as dificuldades que enfrentamos nos primeiros dias. Surpreendeu a tantos sendo um pai extremamente participativo e cuidadoso. Me ajudou a não desistir de amamentar, me consolava quando eu aos prantos dizia que não ia conseguir. Aos poucos o cansaço, minhas dúvidas e a sensação de que a vida tinha parado e resumia-se a dor, leite e fraldas, foram me inundando de uma ansiedade, um desespero: Nunca mais seríamos os mesmo.

Me lembro de amamentar longas madrugadas sozinha chorando e pensando que tudo que eu mais queria era poder dormir uma noite abraçada e me perguntava se algum dia eu ia conseguir fazer isso de novo. Muitas vezes, no fim de um longo dia, aquele abraço me despedaçava por dentro e me revelava egocêntrica. Eu só queria estar bem, só queria fazer o que sempre fiz, ser quem sempre fui, viver como sempre vivi...por que tudo mudou tão drasticamente? Aonde fomos parar? QUEM SEREMOS DAQUI PRA FRENTE?

Quão desesperador eram os dias que eu não conseguia fazer absolutamente nada a não ser cuidar daquele bebê. Me sentia por diversas vezes um ser completamente inútil e vestida de um misto de desespero e egoísmo eu dizia: Eu não consigo fazer nada, eu não sou mais mulher, não sou esposa, não consigo cuidar da minha casa e meu Deus...aonde eu estava com a cabeça quando decidir ser mãe? Eu não sirvo pra isso tampouco! Mas ele esteve lá... Segurou minha mão, enxugou o rio Nilo de lágrimas, me socorreu e sempre me dizia: "isto é uma fase, vai passar..."

E passou, mas não saímos ilesos. A avalanche de emoções e a força com que a novidade chegou, mudou completamente nossas vidas e sim, mudou nosso relacionamento. Como alguém permanece o mesmo depois de tudo isso?

E foi assim que comecei a ansiosamente buscar pela resposta de "quem seríamos daqui pra frente?". Eu sabia bem quem éramos e tinha um apego muito forte por toda aquela construção que havíamos feito, mas eu precisei abrir mão disso também. Depois de entender que eu precisava abrir mão de mim mesma, foi hora de abrir mão do meu relacionamento, pelo menos como eu o via, a sua antiga dinâmica. Era hora de reconstruir.

Tenho descoberto como eu sou ansiosa. Como eu quero resolver as coisas pra ontem. Sempre fui assim. Eu sei que gosto de fazer as coisas eu mesma porque resolvo-as ao meu tempo, a minha maneira, ao meu gosto. A maternidade tem me ensinado muito sobre isso. Eu quis do dia pra noite resolver internamente uma nova dinâmica para o meu relacionamento e quis impô-la tacitamente. Me vi confusa quando tudo fugia ao meu controle...

Sendo totalmente honesta, foi um tempo completamente diferente para nós. Um tempo de aquietar-nos, algo que nunca foi o forte de duas almas tão impetuosas e inquietas. Esta foi a principal dificuldade que enfrentamos. Abrir mão de sermos impetuosos para simplesmente ser e estar. Tranquilos e quietos. Às 20h quando o silêncio tomava conta da casa, quando a pequena dormia, era hora de sentar e conversar, conversar, conversar (e tomar açaí)... Colocávamos todos os pensamentos as claras, todos os sentimentos bons e ruins na mesa sem medo de julgamentos. Alguns muitos dias, não concluíamos nada... ficávamos nas palavras. Outros, enxergávamos nossa miséria e pedíamos apenas que Deus tivesse misericórdia de nós. Outros ainda, sentávamos para relembrar e rir...e chorar. Juntos. Aquele abraço não mudou. Está sempre presente. E sempre me despedaçando por dentro....Ele ainda é minha melhor companhia, mesmo que em silêncio, mesmo que para um chá silencioso após um longo dia de trabalho.

Por que sofremos tanto? Por egoísmo, por abrir mão de ser quem queremos ser e não por quem precisamos ser. Por ansiedade, por querer fazer e controlar o incontrolável. Por ignorância, por não saber nosso propósito e o verdadeiro significado de família. Por medo, por não confiar que basta cada dia o seu mal. Por não saber amar, amando a nós mesmos acima de tudo.

Eu poderia deixar aqui uma lista de sugestões para você fazer em prol do seu relacionamento pós-filhos. Eu acho que todas elas são válidas. Flores, sair pra jantar a sós, bilhetinho, etc...tudo isso é muito legal, muito gostoso e acho que são coisas importantes, mas eu quero deixar o que a minha experiência me ensinou de mais importante.

Descubra porque você nasceu e porque está aqui (se a resposta for "à passeio", volte uma casa!)
Responda porque você se casou.
Responda claramente: Qual é o seu papel como esposa/marido. 
Questionem-se qual é o propósito real de terem optado formar uma família. 
Qual o papel dos filhos e aonde no relacionamento eles se encaixam.

Depois das flores, dos bilhetes, da viagem... a vida real continua e o cerne da questão precisa estar resolvido. Talvez hoje você não tenha filhos e tenha uma resposta bem politicamente (espiritualmente) correta para estas questões. Talvez quando você se ver em meio ao tumulto vai precisar colocar suas respostas à prova e é hora de buscar não só respostas, mas convicção. Talvez você já tenha essa convicção e o furacão sirva apenas para te trazer mais certeza. Talvez suas respostas mudem completamente. Independente da sua situação, seu relacionamento pós-filhos vai mudar. Vai mudar drasticamente. Não seja ansiosa como eu. Dê tempo ao tempo. É difícil, eu sei, mas a reconstrução pode trazer coisas ainda melhores, coisas diferentes, coisas novas...quem saberá?

Aqueles que estiverem dispostos a abrir mão de si mesmos, dispostos a questionar e buscar respostas, sem medo ou objeção a mudar pré-conceitos,  aqueles que por amor, deixam para trás o que foi e ousam a reconstruir o que vierem a ser...


(A foto é do nosso último jantar fora a sós, enquanto dividíamos tranquilamente as sobremesas - coisa que fazemos com muito menos frequência do que antigamente, mas agora com muito mais prazer!)

Até breve!



Comentários

  1. Que bom ler sobre a sua maturidade nesta fase. Sabes bem que quase acabou comigo, conosco. É uma bencao ter um marido ao nosso lado, nos lembrando com cada toque, gesto e apoio quem somos em Cristo! Amo vcs!

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    1. Foi um tempo difícil e confesso que não fica mais fácil com o passar do tempo, acho que as dificuldades vão sendo transformadas e nós, pela misericórdia de Deus, moldados! Amo vocês!! Bjs!!

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