Vida de Mãe | Alcançando e sendo alcançada.


Durante o final de semana estava num papo cabeça com o marido. Discutíamos o impacto que as nossas escolhas quanto a criação da Ana Luiza, trazem sobre nós mesmos. Comentava com ele uma experiência recente que eu tive com ela, que provavelmente me acrescentou mais do que a ela.

Sinto diariamente o peso da responsabilidade em alcançar o seu coração. Não adianta moldar suas atitudes. Não adianta treiná-la para parecer obediente, para agir de uma forma específica, não adianta barganhar seu bom comportamento. Não adianta. A bíblia nos ensina outra coisa. O coração vai se revelar mais cedo ou mais tarde. Preciso chegar no cerne do problema, lá no fundinho do seu coração, sabe? Aquele fundinho bem escurinho e oculto que todos nós temos e que direciona muitas vezes nosso comportamento, nossas atitudes, nossos pensamentos. É bem este...aquele que (quase) ninguém vê.

Enquanto absorvo esta responsabilidade e luto em prol dela a todo momento, me vejo, por outro lado sendo despida.

Tudo que é grosseiro, tenho a sensação de ser mais fácil ensinar (e aqui vale dizer que não estou falando de ensinar com palavras, mas com nossa própria vida, que fala mais do que nosso discurso, certo?). Não mentir, não roubar, não matar, etc. É possível ser um bom exemplo nestas coisas grosseiras, são as minhas iniquidades que acabam comigo...

Obediência verdadeira, um coração quebrantado, um espírito manso e humilde, uma vida rendida totalmente, uma filha que descansa por conhecer sua essência e procedência,  um coração tratável...as coisas que ninguém vê, mas que ecoam nas nossas palavras sutis e no nosso proceder.

Aprendo que neste papel que me encontro hoje preciso muitas vezes (infinitas) agir simplesmente pela fé. Ler, crer e agir. Alcançar um coração não para trazê-lo a mim, se não, para conduzi-lo a quem o criou e o conhece ainda melhor do que eu. Sou agente, sou serva, intermediaria apenas. Me agarro a esta convicção e tento me colocar em igualdade, nunca em superioridade de alguém perfeito ou melhor. Esta convicção me ajuda a ser menos altiva, menos autoritária e praticar constantemente a empatia, misericórdia...

Em um dia aonde precisei confrontar desobediência e rebeldia, fui concomitantemente confrontada. Quebrantando e sendo profundamente quebrantada, enxergando a mim mesma.

Gosto de orar com a Ana Luiza e mostrar a ela quão falha eu sou. Gosto de me incluir nas suas dificuldades e quero somente que ela entenda que eu ainda não cheguei lá, que eu também sou desobediente muitas vezes, que eu me rebelo e que eu careço tanto de misericórdia quanto ela ou qualquer outra pessoa. Que ela veja que eu também sou corrigida, que preciso ser amada, abraçada e consolada pelo meu Pai ao me deparar comigo mesma. Podemos caminhar juntas. Por fé, por amor e obediência, com graça vou alcançado o coração dela e sendo, maravilhosamente, alcançada.

"(...) coração disposto à obedecer, cumprir todo o Seu querer...dá-me um coração igual ao Teu..."


Não podia ser diferente, né? Somos uma família assumidamente cachorrenta! :)




Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Parto Domiciliar do Mathias | A trajetória

Bon Appétit: Wrap de Alcatra e Cheddar

Inspirando...babies!