Vida de mãe: O ponto de partida




Ana Luiza está com 9 meses e meio, quase 10. Estes últimos meses ela tem se desenvolvido a passos gigantescos. Cada dia mais conhecemos sua personalidade e do que ela gosta, não gosta...

Estive meio ausente aqui, né? Aliás, pode apostar que na maioria das vezes quando eu sumo é porque estamos passando dias de maior demanda da minha parte e eu procuro priorizar o que é importante, no caso, a minha filha e tudo que diz respeito a nossa família.

E falando em demanda, a dela está na alturas. Acho que ela está na fase mais crítica da ansiedade de separação. Ela não anda, mas fica em pé e da uns passinhos segurando nas coisas, mas quer ficar atrás de mim o tempo todo e não basta estar perto, tem que estar no meu colo. Aquela cena famosa da criança na barra da roupa da mãe, meus últimos dias... Depois de escalar minhas pernas ela reclama reclama reclama até que eu pegue ela no colo. E assim fazemos almoço, dobramos roupa, tentamos guardar as coisas... Se ela está com alguém e eu estou longe, ótimo. Se ela avistar minha sombra ou ouvir minha voz, já era. A única pessoa com quem ela fica e eu posso sair da vista, dar tchau, ir embora é a minha mãe. Será que ela nota nossas semelhanças físicas? De voz? Me pergunto isso às vezes.

A conclusão é que eu ando meio esgotada física e emocionalmente. Conversando com uma amiga ela me disse que esta fase é uma das mais cansativas mesmo e que quando ela completar um ano, um ano e três meses, muita coisa muda. Eu fico meio dividida. Tem dias que eu chego no final do dia tão esgotada que eu não sei se vou dar conta no dia seguinte e tem dias que eu olho pra ela e penso que ela está crescendo tão rápido, que é bom aproveitar cada milésimo de segundo. O paradoxo materno.

Independente do cansaço, procuro constantemente me apegar ao fato de que o ponto de partida dela sou eu. O referencial para absolutamente tudo, sou eu. Eu também ficaria desesperada ao ver minha mãe ir embora sem saber se ela voltaria. Tenho tentado tirar o máximo de proveito deste tempo, para no futuro olhar com gratidão para ele. Tenho dito ao Senhor que aprendo diariamente muitas coisas com o ser mãe e o que vem no pacote. Dependência, amor, confiança, relacionamento genuíno, todas estas coisas agitam a minha mente enquanto me relaciono com ela. Me lembro das palavras que ouvimos no retiro de carnaval e tenho certeza de que nada poderia me ensinar tanto sobre meu relacionamento com Deus como a maternidade, nada.

Tenho doado meus dias voluntariamente a Ana Luiza e tenho aprendido tanto... Quanto mais ela cresce, mais me vejo distante de quem um dia eu fui antes dela. Sinto-me imensamente grata e feliz por estar presente no dia a dia dela de modo tão intenso, podendo criar laços que durarão para sempre, me esforçando em cumprir o meu chamamento. Estamos em um período de ensinamentos, fundamentos e repetições que por mais cansativos que sejam, me geram esperanças quanto ao seu futuro.

Filha, me sinto honrada em ser o seu referencial e profundamente feliz em estar por perto sempre que você precisa. Espero que o que estamos semeando hoje, possamos colher juntas no futuro. Um belo dia você vai perceber que já consegue fazer muitas coisas sozinha e ir a lugares sem que eu esteja, aliás, vai chegar o dia que você não vai querer que eu esteja. Independente de quando ou como eu estarei sempre no mesmo lugar quando precisar. Sempre vou me sentir a mais privilegiada das criaturas quando você olhar ao redor em um ambiente cheio de gente desconhecida e sentir-se aliviada ao me ver, quando chorar e meu colo te acalmar, quando você estiver com medo e precisar segurar a minha mão para ir com você, quando minha voz te chamar a atenção e quando em resposta, você me sorrir de volta como quem diz: Obrigada mãe, te amo!


Comentários

  1. debora vasconcellos4 de março de 2015 19:59

    Nossa karol, falou tudo! Paradoxo materno total! E doacao!
    No auge da canseira, quando filhote enfim dorme, eu esgotada as vezes, mas ai paro e agradeco pela chance de estar pertinho dele, isso nao tem preco. Temos que aproveitar o privilegio de vivenciar tudo intensamente, pois estamos confirmando o que todos dizem:"Passa rápido"!
    Lindas palavras, me emocionei!

    ResponderExcluir

Postar um comentário

Caro leitor,

Obrigada por tirar um tempo para comentar aqui. Ficarei muito feliz em ler seu comentário e responderei assim que possível. Um beijo!

Postagens mais visitadas deste blog

Parto Domiciliar do Mathias | A trajetória

Bon Appétit: Wrap de Alcatra e Cheddar

Inspirando...babies!