Vida de mãe: Porque nós abrimos mão da TV.

Há muito tempo atrás, antes de nos mudarmos eu comentei aqui no blog que tínhamos aberto mão de ter TV em casa e que um dia talvez falaria melhor sobre o assunto.

Certa vez, voltando pra casa de uma viagem, meu marido virou e me disse:

- Tomei uma decisão.
- Hmmm...
- Não quero mais TV em casa.

Sinceramente, se ele tivesse dito que não queria mais computador, cama, microondas ou geladeira, eu ficaria chateada, mas TV nunca foi meu forte mesmo, não me faria a menor diferença. Independente disto, discutimos ao longo do caminho de curitiba à joinville sobre os motivos pelos quais ele queria abrir mão de ter TV em casa e um dos principais, eram os filhos que viriam e o tempo gasto com ela que poderia ser aproveitado em família.

Parece uma coisa muito arcaica, fora de moda, coisa de gente maluca, eu sei, mas foi maravilhoso. E eu conto porque...

Logo depois desta decisão, nos mudamos pra Vitória e como a voltagem aqui é diferente, vendemos a TV e não compramos uma nova. Não tínhamos quase nada em casa, era uma grande oportunidade para assistirmos bastante televisão. Ao contrário disso, foi um tempo muito bom, o tempo que esperávamos a Ana Luiza chegar e nos curtíamos enquanto isso. Conversamos muito, fizemos muitos planos, imaginamos tantas coisas, foram tantos açaís, tantas noites curtindo a brisa do mar na varanda e filosofando juntos.....

No meio do ano passado, compramos um TV. Pensamos muito aonde a colocaríamos e eu bati o pé e insisti para que não fosse na sala. Colocamos ela no quarto de visitas. Se eu liguei a bendita umas 5x, foi muito. Decidimos que teríamos uma TV porque vez ou outra a gente gosta de assistir um filme, um documentário e estava meio difícil fazer isso no computador. A verdade é que ela está ali, mas se não estivesse não faria tanta diferença. Meu marido, que era viciado em todos os telejornais da Globo News (mesmo as notícias sendo repetidas em todos eles praticamente) hoje se atualiza via celular e deixou o hábito de chegar em casa e ficar colado na frente da TV. Eu, que nunca liguei mesmo, continuo não ligando. E a Ana Luiza....

Bom, a Ana Luiza nasceu em meio à um mundo altamente tecnológico, mas temos tentado preservá-la de tantos estímulos. É fato conhecido que crianças não deveriam assistir televisão até os dois anos de idade e se você acha que eu sou doida tem vários estudos científicos que comprovam os malefícios da TV pras crianças, pode chamar o google aí e se informar...

Independente disto, a TV atrapalha um pouco o que nós gostaríamos de passar pra ela nessa primeira infância. Eu particularmente não tenho problema algum dela estar em algum lugar aonde a TV esteja ligada, não me importo se ela se interessar pelo que passa na TV, nem tampouco vou proibi-la de assistir TV. NÃO É ISTO. O que pensamos é que existem MILHÕES de outras coisas e atividades para serem feitas, muito mais benéficas, muito mais sensoriais, muito mais simples, muito menos apelativas e que demandam algo que hoje em dia é complicado mesmo, tempo. Tempo para se gastar juntos. Quando julgarmos adequado, ela poderá assistir filmes, dvds, música ou o que for, independente se ela tem 1 ou 5 anos. O que não queremos de modo algum é que ela seja uma criança que precisa obrigatoriamente de uma TV. Que "não vive" sem este ou aquele desenho e que tem todos os brinquedos e produtos que a TV impõe que ela TEM QUE TER pra ser feliz e ser aceita.

Hoje ela já viu TV por tabela na casa dos meus pais, de vez em quando eu assisto um ou outro vídeo curto com ela no Youtube (geralmente é algum que ensina o alfabeto ou números), mas tento ao máximo mostrar outras coisas e incentivar outras coisas.

Já ouvi gente dizendo que isso é um perigo porque depois ela vai ser aquelas crianças que "vai pra casa do vizinho assistir TV". Pode ser, mas acho pouquíssimo provável. O intuito é ensinar a usar quando adequado e apresentar outras opções, não proibir. Se tendo outras inúmeras opções, ela ainda sim achar a TV muito mais atrativa, então reavaliaremos nossas opiniões. Por ora, brincar na areia, cantar, explorar a casa, tocar instrumentos, brincar com a Fifi (!!!!), ir à praia, ir à piscina, passear no calçadão e gastar tempo com quem ela ama, tem nos parecido muito mais positivo, muito mais proveitoso e saudável. Dá trabalho, tenho que me organizar e ser disciplinada para aproveitar as sonecas dela para fazer o que tenho pra fazer, pois quando ela está acordada preciso estar muito mais próximo, atenta e presente, mas até o momento tem sido maravilhoso!

Quando ela for maior, poderemos passar uma tarde vendo um filme legal, discutindo sobre o que assistimos e assim uma coisa vai acontecendo de cada vez e a seu devido tempo. Por enquanto a ordem aqui nesta casa é BRINCAR e conhecer a vida REAL!




Comentários

  1. Muito legal karol! Aqui em casa também tivemos essa experiência, a Julia foi assistir tv com quase 2 anos, e antes disso fazíamos de um tudo, e eu acho que realmente além de muito prazeroso, estimula mais o desenvolvimento da criança; hoje ela assiste tv, tem os horários e tal, mas ela gosta muito. Não é regra, tem crianças que conheço que os pais tentaram fazer com que elas assistissem tv desde os 06 meses e elas nunca gostaram e não assistem agora, com 5 anos. Então é isso aí, com filhos vamos vivendo, experimentando e aprendendo; a Amanda já assistiu tv mais cedo um pouco por causa da irmã mais velha, mas isso é uma outra história; eu sou super fã de bater papo, brincar de muitas coisas e não ligar a tv, acho muito proveitoso mesmo! Parabéns pela dedicação, sua princesa merece, e você também!

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