Uma mãe de primeira viagem: Não precisa ter dó.




Não fique ansiosa, não precisa se sentir esquecida, ele vai chegar! Sim, o momento e O olhar mais cedo ou mais tarde vai ser lançado sobre você e quando menos esperar, você vai reconhecê-lo. É o olhar de dó.

Isso mesmo, um belo olhar que te é lançado às vezes acompanhado de alguma frase pseudo-caridosa ou às vezes apenas o solitário olhar. Ele te olha e diz "que dó de você, você poderia estar tão mais feliz sem ela (ele, eles, elas)".

Geralmente ele chega naquele momento não tão glamuroso ou maravilhoso da maternidade. Pode ser aquele momento inicial, aonde você se vê perdida e acabada sem dormir há noites, morrendo de dores e tristeza ou pode ser ainda em público, em um restaurante, naquele dia que você arriscou sair com o bebê e ele quis chorar durante toda a refeição que você mal encostou ou se encostou, ela já estava meio fria e a sua fome já tinha até passado.

Já recebi este olhar e ele me incomodava muito, me deixava mais confusa do que eu já estava, fazia com que eu me sentisse péssima, minha vida tinha se perdido e eu nem tinha tido chance de tentar segurá-la. Quem sou eu mesmo? Como faço para recuperar minha identidade? Cadê a velha Karol?

Ela morreu. 

Morreu mesmo, eu gosto de falar e pensar isso e não me causa nem um pouco de estranheza. Ela morreu, porque outra Karol precisava nascer e não tinha lugar para as duas, eu tive que escolher uma delas e por amor, escolhi deixar a velha ir embora. Ela era muito egoísta para permanecer.

Foi dolorido, eu sofri um bocado...mas aí me lembrei quantas vezes eu já tinha morrido antes. Morri muitas vezes, morrerei outras tantas. Não quero ser pra sempre a mesma pessoa, não quero parar no tempo e deixar que a vida se arraste, não quero ter apego a alguém que eu fui mas que preciso deixar a medida que a maturidade chega, não quero estar presa aos bons momentos do passado. Quero viver coisas novas sempre, quero poder ter a chance de me reinventar, quero ter a graça de ser alguém novo, quero poder ser flexível e adaptável quando as circunstâncias não são favoráveis, quero crescer e amadurecer sem medo do futuro. A maternidade me trouxe essa oportunidade! A princípio ela me assustou, me deixou perdida, me fez sentir como se a minha vida tivesse parado ali, mas há sempre um amanhã.

Hoje, minha realidade tem novas restrições de horários, programações, rotina, é bem verdade, mas ela também tem um novo sabor, novos desafios e a grande chance da vida de ser alguém maravilhoso para uma outra pessoa que não tem lá muito o que oferecer em troca. Mas o que ela tem...dinheiro no mundo não paga, alegria passageira não paga, noites não pagam, saídas não pagam, viagem nenhuma paga. Sabe aquela história de sofrer mas ciente da alegria que te está proposta? É isso! Tem sido novo. Diferente. Desafiador. Maravilhoso. Cheio de gargalhadas gostosas com as coisas mais aparentemente bobas. Cheio de momentos não tão maravilhosos. Cheio de perguntas e dúvidas. Cheio de MUITA vontade de acertar. Cheio de ansiedade por ouvir quem já fez. Cheio de Deus e Sua misericórdia. Cheio de renúncia. Cheio de morte. Cheio de Vida!

Não precisa ter dó, guarde seus olhares e julgamentos. Escolhi o que já tinha sido escolhido! Morri, para reviver e estamos todos muito bem aqui mortinhos, obrigada.

----------------------------------------------------------------------------------------------------------

Quero deixar aqui um texto que falou MUITO comigo. Li há algum tempo atrás na página do blog da Ellen, mamãe do (LINDO) Nico. Ela mora na Flórida e também escreve sobre maternidade!
O texto que ela compartilhou é da página do Desiring God, que tem materiais INCRÍVEIS e achei que seria uma boa ideia traduzi-lo... espero que leiam e sejam tão edificadas quanto eu fui! :)

A MATERNIDADE É UM CHAMADO (E EM QUAL POSIÇÃO DO RANKING ESTÃO SEUS FILHO)

Há alguns anos atrás, quando eu tinha apenas quatro filhos e a mais velha tinha apenas três anos, eu os juntei para darmos uma volta. Quando finalmente estava tudo no lugar e estávamos prontos para sair, a de dois aninhos virou e disse "nossa, mas você tá com as mãos bem ocupadas hein!"
Ela poderia simplesmente ter dito "Você não sabe o que gera isso?" ou "São todos seus?!"
Aonde quer que você vá, as pessoas querem falar sobre seus filhos. Sobre porque você não deveria ter os tido, como você pode se precaver de tê-los e o porque que eles jamais fariam o que você fez. Eles querem ter certeza de que você nunca mais vai sorrir quado eles se tornarem adolescente. Toda essa conversa no supermercado, na fila, enquanto seus filhos escutam.
Um sub-emprego?
A verdade é que anos atrás, antes dessa geração de mães nascerem, nossa sociedade decidiu em qual posição no ranking da lista de coisas importantes a fazer as crianças se enquadravam. Quando o aborto foi legalizado, o tornamos uma lei.
Neste ranking, as crianças estão bem abaixo da faculdade. Abaixo das viagens pelo mundo com certeza. Abaixo da possibilidade de sair a noite quando bem quiser. Abaixo da chance de esculpir seu corpo na academia. Abaixo de qualquer emprego que você tenha ou espera ter. Aliás, as crianças ocupam a posição abaixou do seu desejo de ficar sentada cutucando o dedão, se de fato é isso que você faz. Abaixo de tudo. Crianças são as últimas coisas com o que você deveria se ocupar. 
Se você cresceu nesta cultura, é muito difícil ter uma perspectiva bíblica sobre a maternidade ou pensar como uma mulher Cristã livre tanto sobre sua vida quanto  seus filhos. Quantas meias mentiras e verdades parciais temos ouvido? Você acredita que queremos filhos por conta de alguma urgência biológica ou a famosa "hora de ter filhos"? Estamos mesmo nessa pelas roupas fofas e oportunidades de fotos bonitinhas? A maternidade é um sub-emprego para aquelas que não conseguem coisa melhor ou aquelas que estão cansadas do trabalho exaustivo? Se sim, aonde estávamos com a cabeça???
Não é um hobby
A maternidade não é um hobby, é um chamado. Você não coleciona crianças porque acha que elas são mais bonitinhas do que selos. Não é algo que você faz caso encontre um tempinho vago. É o que Deus te deu tempo para fazer.
As mães cristãs, carregam seus filhos em meio a um território hostil. Quando você está em público, você carrega e defende o objeto do desgosto cultural. Você está publicamente testificando que valoriza o que Deus valoriza e que você se recusa a valorizar o que  o mundo valoriza. Você está com o indefeso, frente ao necessitado. Você representa tudo que a nossa cultura odeia porque você representa abrir mão da sua própria vida em favor do outro - e abrir mão da própria vida em favor do outro, representa o evangelho. 
Nossa cultura tem medo da morte. Abrir mão da sua própria vida, é de alguma maneira, assustador. Estranhamente, é este mesmo medo que movimenta a indústria do aborto: o medo que os seus sonhos morrerão, que seu futuro morrerá, que sua liberdade morrerá - e tenta-se escapar desta morte correndo para os braços da morte. 
Corra para a Cruz
Mas um cristão deveria ter um paradigma diferente. Nós deveríamos correr para a cruz. Para a morte. Então abra mão das suas expectativas. Abra mão do seu futuro. Abra mão das suas mesquinharias. Abra mão do seu desejo de ser reconhecida. Abra mão da sua irritabilidade com as suas crianças. Abra mão da sua casa perfeitamente limpa. Abra mão do seu arrependimento pela vida que está levando. Abra mão da vida imaginária que você poderia ter vivido sozinha. Deixe estas coisas irem.
A morte para você mesma não é o fim da história. Nós, de todas as pessoas, deveríamos saber o que sucede a morte. A vida cristã é vida de ressurreição, vida que não pode ser contida pela morte, um tipo de vida que só é possível para aqueles que foram à cruz e voltaram.
A bíblia é clara quanto ao valor das crianças. Jesus as amou e nós somos ordenados á amá-las e a criá-las no Senhor. Nós devemos imitar a Deus e nos deleitar nos nossos filhos.
A Pergunta é como
A pergunta aqui não é se você está ou não representando o evangelho, mas como você está representando-o. Você tem doado sua vida aos seus filhos com ressentimento?  Você contabiliza tudo que faz por eles como se estivesse contabilizando um dívida? Ou você dá a vida por eles como Deus nos deu - gratuitamente?
Não basta fingir. Você pode enganar algumas pessoas. Aquela pessoa na fila do caixa pode até acreditar no sorriso falso que você deu, mas seus filhos não. Eles sabem exatamente que lugar ocupam na sua vida. Eles sabem as coisas que você coloca acima deles. Eles sabem tudo que você amargura e tudo pelo que você os culpa. Eles sabem que você forçou aquela resposta carinhosa para aquela senhora, para depois gritar e ameaçá-los no carro.
As crianças sabem a diferença entre uma mãe que está se fazendo para um estranho e uma mãe que realmente defende suas vidas e valores com seu sorriso, seu amor e sua total lealdade.
Coisas boas
Quando a minha menina me disse "nossa, mas você tá com as mãos bem ocupadas, hein!" eu fiquei muito grata porque ela sabia qual seria minha resposta. A mesma que eu dou sempre: "sim, com as mãos bem ocupadas - de coisas boas!"

Viva o evangelho nas coisas que ninguém vê. Sacrifique pelos seus filhos em lugares que só eles saberão. Ponha o valor deles, a frente do seu. Eduque-os em um ambiente que realmente vive o evangelho. Seu testemunho sobre o evangelho nos pequenos detalhes da vida é muito mais precioso para eles do que você pode imaginar. Se você os conta sobre o evangelho, mas vive para si mesma, eles nunca crerão. Dê a sua vida diariamente por eles, com alegria. Abra mão das suas misérias. Abra mão da suas birrinhas. Abra mão do seu ressentimento quanto a louça, quanto a roupa suja, quanto sobre ninguém sabe quão arduamente você trabalha.

Pare de se apegar a si mesma e se apegue a cruz. Existe muito mais alegria, mais vida e mais gargalhadas do outro lado da morte do que do lado aonde você caminharia sozinha.
Rachel Jankovic (@lizziejank) é esposa, do lar e mãe. Ela é autora do livro Loving the Little Years: Motherhood in the Trenches e Fit to Burst: Abundance, Mayhem, and the Joys of Motherhood. Ela e seu marido Luke, tem seis filhos: Evangeline, Daphne, Chloe, Titus, Blaire e Shadrach. 
Até breve!



Comentários

  1. Ai Karol que texto é esse??? Um tapa de luva na minha cara!!!! Glória Deus por tudo mesmo!!! E nós que achavamos que teríamos filhos e íamos ensinar para eles como viver no mundo, ensinar tantas coisas, mas na verdade quem nos ensinam são eles! Certamente hj sou uma pessoa completamente diferente do que era antes da Sarah e Deus usa todas essas coisas para nos fazer ficar cada vez mais parecidos com Ele!! bjus juliana loyola

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Ju, recebi o mesmo tapa quando li esse texto!!! Foi de certa forma libertador...mas foi um tapa! :) acho que nunca tinha tao trabalhada como agora, ne?! Deus é bom!!! Obrigada por deixar um recadinho! Bjs!!!!

      Excluir
  2. Xiii esse olhar, conheço bem!!! Dureza mas fico na minha, normalmente quem me olha assim nao tem filhos ainda, nao sabe o que esta fazendo... Os dias que sucedeu o parto foram dificeis e solitarios, mas ainda bem que tem um amanha mesmo!
    Cada dia q passa a gente vai melhorando!!!
    Esse texto me faz refletir sobre como é importante doar se, que agora já morri, e até pouco tempo eu tentava ter minha vida de volta, mas é libertador qdo assumimos ser mãe por completo!
    Bom demais
    Ate mais
    Ana

    ResponderExcluir

Postar um comentário

Caro leitor,

Obrigada por tirar um tempo para comentar aqui. Ficarei muito feliz em ler seu comentário e responderei assim que possível. Um beijo!

Postagens mais visitadas deste blog

Parto Domiciliar do Mathias | A trajetória

Bon Appétit: Wrap de Alcatra e Cheddar

Inspirando...babies!