Como sobreviver ao primeiro mês com o recem-nascido...





...foram estas exatas palavras que eu digitei no google em uma madrugada de desespero.

Ana Luiza recém completou dois meses e MUITA coisa aconteceu e mudou neste tempo.

Sei que meus últimos posts podem não parecer tão encorajadores e maravilhosos para quem ainda não passou pela experiência, mas eles são reais. Em momento algum quis escrever algo aqui que não fosse verdadeiro só para pagar de bonita ou mãe maravilhosa do ano, aliás, eu não tenho essa pretensão! Falei no primeiro post e repito, a minha intenção é poder dividir experiências verdadeiras para quem sabe, servir de ajuda, apoio ou pelo menos companhia para alguém. Minha experiência pode ser completamente diferente da que você teve ou da que você terá, ou quem sabe parecida em algumas coisas.

Os meus primeiros 30, melhor, 40 dias no papel de mãe foram, no mínimo, intensos em emoções. Nem sempre elas eram aquelas emoções lindas que se imagina. Muitas delas eram de tristeza, de frustração e também de egoísmo.

Passado o babyblues, ficou a exaustão, o stress da amamentação, as noites e dias que se emendavam, a dúvida quanto ao porque de tanto choro, o sentimento de incapacidade por não conseguir fazer nada em casa direito...

Eu me lembro de uma madrugada daquelas sem fim aonde eu repetia para mim mesma "ninguém nunca morreu disso, ninguém nunca morreu disso, ninguém nunca...meu Deus será que ninguém nunca morreu mesmo?" Eu pensei que se realmente ninguém nunca tivesse morrido, eu certamente seria a primeira. Privação de sono é algo que (comprovadamente!) pode levar uma pessoa à insanidade e eu estava certa que já estava meio doida...

No auge da dor, do cansaço e afins, o que eu mais odiava ouvir era "mas isso passa!" "MEU DEUS, quando??? Parece não ter fim!!!!", eu pensava. 

Mas a verdade é que REALMENTE passa e o "pior" é que se torna uma memória de certa forma distante e até difícil de assimilar: "será que foi tão terrível assim mesmo?" ....

Aprendi algumas coisas nesse tempo, principalmente sobre o que não fazer e o que não ser.

A primeira coisa é que não creio ser possível se preparar para este momento. Ele acontece e você vai ter que lidar com o fogo enquanto estiver ali no meio dele mesmo. Os livros não te ensinam a sobreviver esse período, mas a experiência alheia pode te ajudar a aliviar a angústia, mesmo que no momento pareça que não.

Aliás, esqueça os livros. Leia-os, mas guarde em um lugar inacessível por pelo menos 6 semanas. Eu errei muito por ser extremamente ansiosa e impaciente. Queria que na segunda semana a Ana Luiza já estivesse em uma rotina estruturada, dormindo a noite toda e sendo sempre previsível. Me frustrei e sofri muito com isso e fiz ela sofrer também. Não seja como eu, dê tempo ao tempo. 

Esqueça a casa. Se você não puder contar com ajuda diária, esqueça a casa. Eu li muito esse conselho e tentei colocá-lo em prática. As vezes dava certo, outras vezes eu me desesperava pensando que eu nunca mais na vida ia conseguir fazer nada em casa. Hoje já voltei a minha rotina e na medida do possível, faço de tudo. Tenha calma!

Cerque-se de quem te ama. Não importa a quantidade, mas sim a qualidade! Pra mim, foi fundamental! Nada mais poderia ter me ajudado tanto! Meu marido, por mais desesperadora que fosse a situação sempre me encorajava "calma, é só uma fase, já vai passar..." Além de me ajudar no que fosse possível. Minha família também agüentou os trancos e barrancos comigo. Minha mãe fez de tudo um pouco, de babá de cachorro à psicóloga, e quando preciso foi, me trouxe uma palavra de exortação com muito amor. A experiência das amigas também serviu de amparo, e brinco que no 203 reside minha psicóloga. 

O famoso conselho "durma enquanto ele dorme" é ótimo. Sei bem que nem sempre é possível, dependendo da sua situação, mas vale o esforço. Aceite ajuda também sempre que possível e tire, mesmo que seja 05 minutos, só pra você. Eu costumava tirar esses minutos na hora do banho. Fechava todas as portas, ligava aquela luz fraca e deixava a água levar embora todo cansaço, toda angústia, dor, duvida...

Paciência! Em muitos momentos eu pensava que não ia conseguir e dizia que não tinha nascido para esse papel. A verdade é que é tudo muito novo e a gente precisa viver um dia de cada vez mesmo. Nunca antes "basta cada dia o seu mau" fez tanto sentido. Um dia de cada vez e uma hora o milagre acontece. 

Fé! Creia que Deus já te capacitou para este papel, que aí dentro de você, lá no fundo talvez (tive que escavar muito!!!) tem uma mãe pronta a brotar! Peça a Ele para te conduzir nos dias de escuridão para que você não se perca ao longo do caminho e te ensine a valorizar com gratidão os dias bons. Deus tem muito a nos ensinar através da maternidade, basta estarmos atentas e dispostas! 

Se você está passando por isso agora, saiba que é possível sobreviver e que uma hora as coisas começam a ficar boas. Uma hora você deixa de ser apenas "uma fonte de alimento e troca fraldas" para "uma fonte de alimento e troca fraldas que a gente ama, sorri e até canta junto." E quando os sorrisos começarem a aparecer, aquelas noites mais terríveis já não vão mais parecer tão horríveis assim! Acredite, palavras de uma mãe que pensou que fosse morrer! :)

Passados os 40 dias, começamos pouco a pouco nos conhecer melhor, interagir (pra mim isso fez MUITA diferença), e aí então começamos com as rotinas e as coisas se ajeitaram! Ainda vivemos um dia de cada vez e nem todos os dias saem 100% conforme o script, mas faz parte...hoje posso dizer que sinto prazer em ser mãe e que aprendo diariamente a função! A Ana Luiza é surpreendentemente inteligente e de personalidade forte (digamos assim)! Cada dia é um dia de novidades, cada semana um novo avanço e assim seguimos nossa caminhada, aprendendo juntas! 

Para as novas mamães, deixo aqui duas sugestões de texto que a Thaís do GestaVida compartilhou no Facebook! Achei ambos maravilhosos, uma pena só os ter encontrado depois do furacão. Recomendo a leitura! 



Termino dizendo que, passado os dias nebulosos, o segundo mês passou e eu simplesmente não vi! É verdade o que dizem, passa muito rápido e a minha ansiedade agora, é pra curti-la ao máximo a cada dia!!! 

Às mamães de plantão, não deixem de contar a sua experiência quanto aos primeiros dias, encorajando outras (futuras) mães! 

Fico por aqui! Obrigada à você, que nos acompanhou até aqui!

Até breve!  

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Parto Domiciliar do Mathias | A trajetória

Bon Appétit: Wrap de Alcatra e Cheddar

Inspirando...babies!