Opinando sobre o "Nana, Nenê!"




Quero começar dizendo que eu estou plenamente ciente de que estou adentrando, com este post, em uma seara obscura, desconhecida, polêmica, antagônica e muito, muito pessoal: Criação de Filhos.
Devo deixar claro que eu não tenho por objetivo opinar na maneira que você e/ou sua família fazem ou pensam, nem persuadi-los, pois eu acredito que a ética aplicável quando discutimos criação de filhos funciona da mesma maneira de que quando discutimos gosto: CADA UM TEM O SEU. :)

Sei que não existe um manual pronto e que nenhum ser humano é igual, mas quero deixar bem claro que eu acredito que existem princípios estabelecidos na Palavra dos quais não podemos abrir mão. No que é OBJETIVO, creio não caber interpretações, no que é SUBJETIVO, existem modelos, experiências bem sucedidas e outras não tão bem sucedidas das quais podemos com sabedoria e discernimento, aproveitar e aprender. Não tenho resposta alguma para nada e eu quero poder aqui, compartilhar os ERROS e os ACERTOS, do meu ponto de vista, baseado naquilo que eu experimentar. E finalizo dizendo que, apesar de não saber de antemão como fazer e como será, eu tenho MUITO CLARO o que eu NÃO QUERO para minha casa e família. O meio do caminho será uma outra história, uma longa caminhada......."Help me, God!"

***

Há uns dois meses atrás, peguei emprestado o famoso e polêmico livro Nana, nenê. Era minha intenção adquiri-lo há algum tempo, mas já que minha vizinha-amiga tinha em casa uma cópia, aproveitei a oportunidade. Já havia lido milhares de blogs/sites comentando sobre este livro que gera tanta discussão. Umas AMAM, outras ODEIAM (com todas as forças) e eu estava muito curiosa para saber o que este Dr. Eduard Estivill e esta Sylvia de Béjar diziam de tão bom ou tão ruim assim.

Começo apresentando os autores. O dr. Estivill é o responsável pela Unidade de Alterações do Sono do Instituto Deuxes de Barcelona, na Espanha. Ele é especialista em patologias do sono. A Sylvia de Béjar, é uma jornalista e ambos têm outros livros publicados sobre este tema, contudo creio eu, ser este o mais famoso e polemizado. 

Mas afinal, o que diz o livro? 

Resumidamente, o intuito do livro é ensinar aos pais como estabelecer uma rotina saudável de sono para o seu bebê à partir dos 03 meses de idade ou como reeducar o sono de seu filho, caso vocês estejam passando por dificuldades nesse aspecto e ele já seja maiorzinho.

O Dr. Estivill inicia explicando como funciona a rotina biológica de um bebê e chama atenção para o seguinte fato: bebês não nascem sabendo como dormir, assim como os ensinamos a comer, devemos ensiná-los a dormir, sozinhos. Achei esta informação muito pertinente, uma vez que de fato a criança chegou ao mundo e precisa ser instruída a respeito de tantas coisas, por que negligenciarmos o sono? Apesar de sentir sono, fome, ela não sabe fazer tais coisas adequadamente, é preciso ensina-la.

Depois ele explica sobre o seu método e como fazer para que a criança concilie sozinha o sono e se adapte a rotina biológica das 24h, como é o nosso caso como adultos. Ele explica que esta adaptação leva em torno de três a quatro meses, dependendo do organismo e funcionamento de cada um. Ensina ainda, como devemos reeducar os maiores e o que fazer e principalmente o que não fazer durante o período de ensinamento.

Destaca diversas vezes a importância da rotina e da consistência dos nossos atos. Que criança se sentiria segura se seus pais ao lhe ensinarem a comer, cada dia procedessem de modo diferente por insegurança? Hoje mariazinha come no vaso sanitário com uma colher, hoje vamos tentar na sala com garfo, se não deu certo acho que podemos tentar no quarto com as mãos... O sono funciona da mesma forma, é preciso ter uma rotina e ela precisa ser consistente e acima de tudo, os pais devem estar convictos e seguros do que estão fazendo, repassando assim esta segurança para seus filhos.

Os casos que ele menciona no livro são dramáticos, mas muito reais. Conheci mães que os filhos só dormiam quando passeavam de carro, forçando-as a dirigir à noite até a criança dormir, aí elas acordavam, e lá iam os pais de novo e assim se seguiram muitas noites. De modo direto e simples, ele esplana sobre a necessidade que uma criança tem de ter um sono tranquilo, reparador, saudável e como isso interfere até no seu rendimento escolar no futuro. Foca também na saúde do sono dos pais, que sofrem diretamente com as alterações de sono dos filhos. Quem vive bem e feliz sem dormir adequadamente?

O livro tem uma linguagem simples e de fácil compreensão, mas muito bem embasado teoricamente. Explica-se como proceder desde o início, até os primeiros anos, falando ainda sobre como deve ser o sono diurno e também sobre os horários tanto de alimentação quanto do sono.

O que eu achei

Eu vou começar dizendo que, apesar de apoiar o parto humanizado, eu não sou adepta da criação com apego. Sei que muitas vezes relaciona-se uma coisa com a outra e eu acho que elas são coisas distintas. Não compactuo por exemplo, com a teoria da mamada em livre demanda, nem do conceito "cama compartilhada", entre outros pontos abordados pela criação com apego. Se quiser saber mais sobre o que é, leia aqui.

Tendo isto em mente, eu devo dizer que eu acho que bebês, crianças, adolescentes, adultos, somos seres humanos plenamente capazes e conscientes, aptos à aprender. Em níveis diferenciados, mas aptos. Acho que um bebê por exemplo, nasce com o cérebro "limpo", pronto para receber milhares de informações, que lhe serão passadas ao longo da vida. Uma bucha, que absorve tudo. Então eu acho SIM que é possível ensinar um bebê a dormir corretamente e de modo saudável e que  ele irá aprender. Agora, disposição e disciplina pra isso vai de cada pai/mãe. Nem todo mundo quer e nem todo mundo acha correto. 

Eu achei a leitura muito válida e recomendaria, sim. Recomendo MUITO, porque o que ouço/leio de mães que reclamam sobre sono não é pouco.... Alias, é o conselho geral: "durmam agora, porque depois esquece, vocês não vão mais dormir!!!!" Não me lembro de presenciar estes episódios na minha casa, mas tudo bem...minha irmã com 40 dias dormia no quarto dela, no berço sozinha. Minha prima me contou que o filho dela também. É o que o dr. Estivill comenta, no início, certamente haverá cansaço, sono, pois o sono de um recém-nascido é anárquico e por isso mesmo ele precisa de amor, carinho e alguém que demonstre isso ensinando-o. Amar pra mim não é só beijinho, lindinho, amorzinho....

Algumas críticas que eu li sobre o livro, sempre focavam muito no "deixar chorar". O autor quando expõe o método de ensino diz que, se a criança estiver acostumada a dormir sendo embalada (errado), na cama com os pais (errado), com a TV ligada (errado e PREJUDICIAL), mamando (errado) quando ela for posta no berço/cama e seus pais lhe deixarem a sós para dormir, ela vai chorar. O que ele ensina é: não sair desesperado para acudir a criança no primeiro barulho que ela fizer e sim permitir um tempo de espera, propondo inclusive uma tabela de tempo que vai de 1 min a 7min no máximo, se não me engano, e de forma gradativa. Ele diz que, se sempre atendermos a criança no primeiro barulho que ela fizer, ela vai saber que chorar traz a presença dos pais e a atenção que ela está demandando. Li uma crítica engraçadissima dizendo que a maneira como ele fala, parece até que parimos o Darth Vader de tão malvada que as crianças parecem ser segundo a sua visão. Acho que não é bem assim. O autor entende que as crianças podem ser mal acostumadas desde os primeiros meses e que isto é prejudicial tanto para elas, quanto para os pais que passam a viver em sua função. 

A segunda critica que mais li, apontava o dr. Estivill como um egoísta, centralizador. Bom, me desculpem aos que discordam, mas quem está chegando agora é o bebê. Nossa casa tem regras, rotina e uma história que teve início antes da sua chegada. Vamos sofrer alterações de rotinas e horários? VAMOS! Vamos mudar hábitos? VAMOS! Quando nós casamos também tivemos uma série de adaptações a serem feitas, não será diferente com a chegada do bebê. Isto não significa que o bebê vai controlar a partir da sua chegada está casa. Ela tem ordem, tem governo e hierarquia e neste caso, ela está abaixo na pirâmide do poder! Rs..... Vamos nos adaptar sim, mas é o bebê que irá se adaptar e aprender as regras da casa. Não acho isso egoísta, não acho isso centralizador, não acho isso maldade e nem falta de amor. Acho isso cuidado, zelo, amor e proteção. Crianças que precisam de limites, de pais seguros, estão aos montes por aí! Estamos vivendo uma era aonde nasce uma criança, nasce um "reizinho" uma "rainhazinha" que manda, desmanda e faz e desfaz como bem quer, basta sair na rua e observar. E olha que eu observo MUUUUUUITO! Minha irmã trabalha com educação infantil (desde bebês) e o quadro é TRISTE. Me desculpem novamente, mas este limite, este senso de hierarquia, na minha opinião, começa cedo, começa no início da relação. Qualquer relação que se inicia com excesso de permissividade, no futuro vai sofrer quando surgirem os limites. 

Se você puder, leia o livro. Você não é obrigada a nada. O máximo que vai acontecer é você agregar mais informações e talvez criar suas próprias críticas. Vamos nos informar por amor aos nossos filhos! Não se conforme a mesmice, ao "disse me disse". Procure suas próprias concepções, crie a sua própria história, tenha sua própria experiência. Pense com a sua própria cabeça! E para tudo isso, você só vai precisar de uma coisa: se informar, ler, pesquisar. Saia do Facebook e use seu tempo em prol da sua família. Nem tudo que funciona pra um, funciona pro outro, mas isso, é você quem determina! 

O que eu entendo a luz da Palavra

Eu li um artigo certa vez falando sobre a crescente idolatria de filhos e como isto afeta tantas mães cristãs no mundo "moderno", principalmente as que por algum motivo se sentem "culpadas" de alguma forma e tentam compensar de outra. Eu não sei, porque sou "semi-mãe", mas eu faço uma leve idéia que o sentimento que se tem por um filho deve ser mesmo sobrenatural, imenso. Tão imenso que leva a idolatria. Idolatria é tudo aquilo que ocupa o lugar de Deus e podemos idolatrar muita coisa/pessoas, imagina um filho!!!! Lembro-me sempre de um sábio conselho que ouvi de uma irmã em um chá de bebê e que me marcou: "ame mais a Deus, do que a seus filhos." Escrevendo agora, chega até doer, confesso...não deve ser fácil, mas é a bíblia quem diz. É presciso discernir estas coisas e deixar que o Senhor nos ensine. Ele é melhor que o dr. Estivill, que eu e você. Vou precisar muito (mais, mais e mais) dEle, como nunca antes! 

KAROL SUA RIDÍCULA, VOCÊ VAI PAGAR A LÍNGUA!!!

Eu sei, nem sou mãe ainda e já to dando pitaco. A esta altura, já deve ter alguém me julgando, com pedras prontas e frases de efeito do tipo "espera chegar a sua vez", "eu paguei a língua", "também dizia isso antes da mariazinha nascer", "na teoria é fácil", "você vai mudar de idéia assim que olhar pro rostinho dela!"... Enfim, sempre tem os desacreditados na minha pessoa. Pode ser que, caso eu esteja errada, o Espírito Santo me convença e me mostre que meu coração de fato não estava convertido e que meus pensamentos eram completamente fora do prosposito de Deus. Se isto acontecer, eu venho aqui e peço perdão e exponho tudo que aprendi! Prometo! Do contrário, eu me conheço e sei que eu vou tentar, vou cansar, vou querer desistir e vou me olhar no espelho e dizer: "pede pra sair, sua fraca!!!!" Aí eu vou chorar. Mas depois vou me encher de coragem e animo e tentar de novo e de novo e errar de novo e recomeçar e recomeçar quantas vezes forem necessárias, porque não pretendo trazer a Ana Luiza ao mundo para que ela tenha uma mãe qualquer que desiste facilmente dela, to aqui pra ensinar que errar é preciso, mas aprender e recomeçar é vital!

Encerro com um "MUITO Obrigada" à todas as minhas amigas, mãe, prima por compartilharem comigo suas histórias, erros e acertos, por me darem tantos exemplos! Preciso demais de vocês e conto muito com vocês para me socorrerem na fase do "pede pra sair" e a do choro, que se sucede! A bíblia diz que na multidão de conselhos há sabedoria e eu agradeço a cada uma que sempre tem algo a acrescentar, muitas vezes só com o proceder. Obrigada mesmo, quero aprender com vocês! 

Espero não ter ferido ninguém com meus conceitos e me desculpem caso tenham sentido-se ofendidas de alguma forma, só quero poder compartilhar minhas experiências também. :) Vou adorar ler as experiências de vocês também... e me desejem boa sorte com o sono da Ana Luiza!!!

Por hoje é só tudo isso! 

Até breve! 










Comentários

  1. Isso aí Karol! Todas erramos e recomeçamos, muitas vezes! Você conhecerá o coração da sua filha e será uma ótima mãe! No que eu puder, estou aqui pra ajudar!

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