Uma mãe de primeira viagem: Não tão deusa mais!




Lembram-se quando falei sobre o segundo trimestre e como todos diziam que era o período para sentir-se praticamente uma Tetê Espíndula: como uma deuuuuusaaaaaaaaaaaa você me mantém? 

Então, passsssoooouu!!!!

Explico.

Entrando no oitavo mês, notei que meu corpo já não tem reagido com a mesma agilidade que até então vinha me oferecendo, é aquela história do corpo que não acompanha a velocidade do cérebro. O cansaço chega mais rápido e o peso da barriga já se faz notório. Agora, chego ao fim do dia muito mais casada do que antigamente, muito mais moída e se for um dia quente, inchada também. Eu que já não sou exemplo de postura perfeita, também sinto dores na nossa amada lombar e esta semana comecei a sentir que algo está ocorrendo nesta minha bacia (oba!). Tem também aqueles dias da azia, mas cuidando da alimentação dá pra segurar tranquilamente!!!

Por incrível que pareça, dependendo da correria do dia, passa até despercebido. Parece até mágica, mas as coisas coisas acontecem gradualmente, em uma velocidade que te permite a cada dia adaptar-se aos novos desafios físicos. Saio praticamente todos os dias à tarde para resolver algo ou do quarto, ou do chá ou de casa e fui notando que a velocidade da caminhada e o fôlego foram indo-se lentamente como se a cada dia meu corpo enviasse um sinal de "slow down". Queria ser uma grávida zen e tudo mais, mas não é mesmo meu perfil e com tantas coisas a serem providenciadas/resolvidas, me forço ir aos limites, todos os dias. Geralmente às sextas-feiras, me encontro em estado de esgotamento e me permito resolver apenas as coisas que não demandam tanto esforço físico. Segunda a gente volta ao batente. Firme, forte e convicta de que se depender de caminhadas e atividades para um parto normal, tô bem na fita!!!!!

Fora estes pequenos contratempos, essa fase tem também o seu lado muito bom. Os movimentos são super perceptíveis e com o espaço dentro do útero ligeiramente reduzido, eles ficam bem marcados e dá até pra ver com mais facilidade (para alegria do pai). Senti-la mexer é mesmo uma delícia e ouço constantemente que sentirei falta quando ela nascer. Gosto de ficar tentando adivinhar qual membro do corpo está formando "aquela ponta" ou "passando aqui". Na última consulta o médico me disse que ela não está encaixada, contudo já estava de cabeça pra baixo! Agora ficou mais fácil adivinhar qual é o membro. Os pés mexem bastante, joelhos também e temos uma preferência peculiar pelo lado direito do útero. Não sei se é porque desde o início me acostumei a dormir do lado esquerdo, ela fica quase que 100% do tempo concentrada no lado direito. Temos ainda uma preferência por colocar os pézinhos embaixo da minha costela. Às vezes eu dou um empurrãozinho... "filha, aí não, né?!"
Não adianta muita coisa. 

Lembro que no início da gestação fui indagada se conversava muito com ela. A resposta na época foi não e hoje é "mais ou menos". Sei que tem mães que batem longos papos com a barriga, que cantam (eu não tenho coragem de fazer isso com ela, coitada!), que contam histórias e tudo mais. Eu particularmente falo com ela esporadicamente, uma coisa ou outra, um comentário, mas sem muitas delongas. Não me sinto nem um pouco menos afetuosa por isso, acho que cada um olha para barriga e reage de um jeito. Geralmente no banho é quando falo mais, quando oro por ela e pelo nosso encontro que está chegando. Acho que por ser um momento tranquilo do dia fico mais propícia, mas me sentiria um E.T falando com ela no meio da rua, dentro do ônibus... Sei que quando for a hora iremos interagir bastante! Por ora, me atenho ao banho e antes de dormir, quando sempre rola uma interação em família. Que delícia de momento!

Nas coisas práticas do período, tenho corrido com o quarto, que certamente ficará pronto nos 45 do segundo tempo e ultimamente tenho me ocupado com as questões do chá. Sou muito detalhista e chata e por isso faço tanta questão de olhar tudo eu mesma. Tenho contado com a ajuda e cia de pedras preciosas que me ajudam desde a confirmação de presença a idas à loja de artigos de festa, mas em geral vou cuidando de cada detalhe com muita, muita alegria! Estou planejando um chá bem pequeno, nada grandioso (até porque eu não tenho tempo hábil pra isso) e gostoso, com muitos doces!!! O conceito "faça você mesmo" é o que tem imperado, sempre! Assim que acontecer, mostro as fotos e os preparativos por aqui.

Esta semana se Deus quiser, terei meu "primeiro" encontro com a minha doula-chará e também faremos uma visita ao hospital que escolhemos para o parto. A ladainha do médico parece ter tido fim, mudei novamente, definitivamente. A verdade é que cansei de tentar um encaixe com a "médica humanizada", cansei de explicar minha situação, de esperar retorno, de ligar incansavelmente para marcar o retorno com os resultados do exame. Fui à um médico que recentemente consultou minha mãe e ele muito gentilmente me encaixou com urgência em sua agenda. Avaliou meus exames do segundo trimestre apontando como todos normais e já me solicitou um ultra-som, que será feito com muita alegria e ansiedade hoje. Foi direto e reto no que diz respeito a parto: "só faço cesarianas no lugar tal. Se fosse para fazer parto normal, só se fosse cobrar o que o doutor "x"cobra, aí ficaria com a bunda sentado esperando quantas horas forem necessárias você parir." Direto e reto, mesmo. Eu também fui clara e disse à ele que eu vou ganhar com o plantonista, portanto nem ele terá que me convencer de uma cesariana desnecessária e nem eu sofro por não ter "meu médico" comigo. Estamos acertados e cada qual fica feliz em seu quadrado.

Estou sendo questionada sobre a ultra-som 3d, 4d, 25d, whatever. Particularmente, eu não tenho a menor curiosidade para saber com quem ela se parece, se tem nariz assim, boca assim, etc. Devo ser uma mãe bem estranha, mas é que o que me intriga e desperta mesmo a minha curiosidade é a personalidade dela. Fico pensando comigo mesma se ela vai ser tímida, extrovertida, teimosa como o pai (teimoso é quem teima comigo, afinal), curiosa como a mãe (oh yeah), se vai ser tranquila, agitada, quais serão seus interesses e como expressará sua individualidade. Me pego ansiosa por ver de perto sua interação com o mundo externo, sua percepção sobre o mesmo, sua absorção quanto tudo que esta ao seu redor. Estas coisas me deixam curiosa, me fazem sentir um peso de responsabilidade, me motivam a querer ser melhor, me informar, crescer mais em alguns aspectos, para que de alguma forma eu possa contribuir com quem ela se tornará. Ciente de que este será um relacionamento completamente diferente de todos os demais que eu já vivi, daqueles que te reduzem a zero, que te fazem totalmente dependente de Deus por ser você um ser tão pequenino frente à tantos elementos externos que a rodeiam. Ciente de que a vida nunca mais será a mesma, que será melhor, mais evoluída, mais Ana Luiza.

Boa semana pra você que começou passando por aqui! :)

Até breve!

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