Diário de Bordo: Pequim Parte II


Antes de mais nada, gostaria de resumir o meu feriado com uma única imagem:


Só comi e dormi. Botei o sono em dia, minha gente! Agora só falta a vida....

Espero que o feriado de vocês também tenha sido tão proveitoso! :)

***

Pequim - Parte II

Seguimos para a parte antiga da Wangfujing aonde tem as barraquinhas com toda aquela bizarrice para se comer. A galera estava animadíssima para degustar um espetinho de escorpião e o meu cunhado jurando que eu ia comer também, se não ele ia "ficar muito decepcionado comigo". Mas como decepção não mata, ensina a viver...que se decepcione....(sou dessas!).

Cruzando uma das ultra movimentadas ruas aconteceu a cena de filme da viagem: O sinal para pedestre abriu, aquela galera atravessando a rua (muita gente mesmo), o grupo separado, mas todo mundo meio próximo, de mãos dadas com o JC eis que ele fala bem alto: MEXERAM NA MOCHILA! Não sei...foi tudo muito rápido e ele por impulso segurou a mão da xing eu virei pra ver a cara dela e vi que o cara que estava com ela continuou andando e parou para observar de longe. Enquanto isso o JC revirava a mochila (bolsa de fora) para ver se estava tudo ali, e quando eu nem terminei de piscar o Du (primo/sócio) já puxou a xing e começou a gritar com ela em mandarim, a nossa turma foi se juntando, os xings pararam pra ver o que acontecia, aquele tumulto e o JC gritou dizendo que estava tudo ali. Fiquei com medo do Du...ele é muito nervoso, socorro! Ele disse que estava gritando pra ela "Abre a bolsa, quero ver sua bolsa, você não sai daqui!!!" Que confusão! A xing mexeu com o gringo errado. Talvez ela tivesse pensado que estávamos sozinhos e que não sentiríamos a mão leve dela no zíper, ou que não saberíamos como nos comunicar no momento. E se você acha que ela reclamou ou falou algo, não. Só ficou parada com aquela cara de assustada, estatelada. Foi só um sustinho. Furtos acontecem em todo lugar. Continuamos...

A entrada para a parte antiga tem um portal e a rua se estreita com milhões de pessoas caminhando pra lá e pra cá, mesinhas no meio da rua, lixo, barracas e gente sentada comendo bizarrices. Consigo relembrar perfeitamente o que senti quando entrei ali. Só havia tido aquela sensação uma vez na vida em uma loja de artigos "diferentes" (e diferente não significa sex shop, ok?! ) e foi tão ruim quanto. Passando o portal, logo na entrada tinha um palco, luzes e o que me parecia um travesti fazendo um show de dança como se fosse uma geisha. Me chamou a atenção e eu parei para olhar. Confesso que deve ter durado no máximo 2 minutos mas foi horrível. Eu olhava para ele enquanto ele dançava e ele me fitava e levemente fazia movimentos suaves com as mãos, a cabeça e sorria um sorriso à la coringa. Aí eu comecei a passar mal, de verdade. Era como se uma tonelada estivesse sobre a minha cabeça. Fui começando a ficar tonta...as luzes giravam, parece que todos tinham sumido e aquela coisa bizarra me encarava e sorria... eu pensei que fosse desmaiar ali no meio da rua. Eu não vou conseguir descrever em palavras a sensação...mas a consequência dela, era uma vontade absurda de sair correndo pra bem longe dali. O mais longe possível. Segurei a mão do JC para ele parar e pedi pra gente andar rápido. Foi horrível. A medida, que íamos caminhando comecei a me sentir "menos pior", mas longe de bem, feliz e contente. Por algum motivo eu só conseguia pensar "Bangkok deve ser muito pior..." (porque esta é a imagem que eu tenho de lá).

Viramos uma esquina e... VOILÁ! Os bichos! Pensem de tudo...escorpião grande, pequeno, tubarão cru no espeto, vísceras de todo tipo, coisas que até Deus duvida que se coma, cobras no espetinho (coisa linda!), tarântulas, bicho da seda, baratinhas fofas...podem usar a criatividade. Tinha de tudo. O cheiro da rua das barraquinhas resumidamente: insuportável. Nem que me pagassem todo dinheiro do mundo eu comeria aquelas coisas. E só pra constar, os machões que foram todos animados, nenhum quis comer nada. Lembro-me de querer sentar na calçada (sem encostar) e chorar e responder a mim mesma o que eu tinha na cabeça de marcar 07 dias naquele lugar.

Continuamos caminhando e o grupo decidiu que iria comer no Annie's. Um restaurante italiano que eles (a família de lá) adoram e que pelo que falaram já seria a terceira vez levando os turistas (nossa primeira). Pensei que qualquer coisa seria melhor que aqueles bichos e aquele cheiro. Fomos caminhando pelas ruas escuras para dentro do bairro. O Júnior (primo dos meninos) foi nos explicando que as ruelas escuras eram na verdade residencias. Residencias estas que, em grande parte, não possuem banheiro e fazem uso de um banheiro público. As coisas me pareciam todas abandonadas e eu teria feito (caso pronto) se andasse em um lugar daqueles no Brasil. Um ermo, um breu, e luzes bem reduzidas em pontos específicos de travessas minúsculas. Lembro de passar por uma casa na rua principal que mais parecia um imóvel abandonado e ver dois xings jogando baralho no que parecia ser uma sala, sob uma luz amarela fraca. Tudo ao redor parecia abandonado. Essa é a filosofia deles. Não há necessidade para manutenção. Não existe manutenção de nada. Os prédios lindos, recém construídos, mas sujos, com aparência de abandono, descaso. E esta filosofia se aplica às zonas mais favorecidas financeiramente (com aluguéis absurdos que chegam a casa dos 20 mil sorrindo) e às zonas menos favorecidas. Quebrou? Deixa assim. Sujou? Pra que limpar?

Drama do táxi novamente. Nos dividimos em grupos e fomos nos jogar na frente dos carros para ver se algum xing bondoso parava. Chega uma hora que você começa a gritar com eles e pronto. "Vai precisar comer um dia!!!!!" Perguntei pro JD se eles entendiam certas palavras e gestos e ele disse que eu nem pensasse porque eles são barraqueiros, juntam todos que estiverem na rua para uma batalha xing x estrangeiro e ainda por cima batem em mulher. Hahahahahahaha...Gente, era só curiosidade! :) Prometo!

Depois do draminha, conseguimos um xing e chegamos ao Annies. Ah... que alegria ver papel higiênico no banheiro! Olhar o cardápio e ver spaghetti escrito! Lindo, emocionante, digno de lágrimas. O restaurante de fato era fantástico em n quesitos: deliciosidade da comida (top mesmo), preço, atendimento... Uma coisa é fato: Come-se MUITO bem em Pequim por preço de bananas.

A galera toda reunida (somamos ainda a companhia de mais dois clientes que estavam lá!) se divertindo, apreciando um bom italiano, rindo muito e não economizando nos flashes!!!! Apesar do enjoo, cansaço, fuso e o mega choque cultural, não podia reclamar. A companhia estava fazendo toda diferença.

Saímos do Annie's e fomos caminhando sentido Sanlitun (área internacional top de Pequim) para o drama do táxi novamente. Não é claro, antes de fazer um pit stop em um cruzamento ultra movimentado, para uma coreografia em grupo ao som de alguma música eletrônica que saía do porta malas de uma besta. Hilário define. Que galera!

Eu, JC e JD nos despedimos do pessoal e fomos para o nosso drama do táxi parte III. Depois de ir e vir, atravessar pra lá, pra cá, passar raiva com o taxista parando só pra Chines, nos jogar na frente dos carros, entrar e sermos convidados a sair, eis que me para uma towner daquelas bem velhas, caindo aos pedaços, suja, com dois xings oferecendo o transporte. Já eram mais de 11 da noite...eles aceitaram nos levar no endereço e o preço negociado estava camarada. #partiunatowner
Gosto assim, com emoção! Aos trancos e barrancos chegamos em casa.

Vale lembrar que as leis na China são extremamente rigorosas. Pelas informações que recebemos, não há (pelo menos significativamente) registros ou informações de assaltos, crime a mão armada, sequestro e coisas do gênero. Eles vivem sob o regime do medo, então a cidade apesar de enorme e populosa é altamente segura neste sentido.

Ao chegar em casa aquela noite eu só pensava: esse lugar é uma loucura, preciso escrever, preciso registar, meu Deus que experiência é essa! Era um verdadeiro turbilhão de sentimentos, pensamentos, tudo ao mesmo tempo e eu queria muito sentar e escrever, escrever, escrever... uma pena que o meu organismo não colaborou. Era uma questão de sobrevivência: precisava tomar um banho e dormir. E assim fui...mal me recordo do JC entrando no quarto às 4 da manhã, quando ele terminou com os e-mails... Estava realmente exausta: corpo, alma e espírito. Tinha acontecido de tudo naquele dia. A dose tinha sido intensa.

Programação do dia 02: COMPRAS!

Continua....


Comentários

  1. Eu to me sentindo num filme do Indiana Jones versao Urbana! :D
    Que loucura!!!!
    Com certeza o pessoal que tava la fez toda a diferenca; ja pensou so vc e o marido sem ter ninguem la?
    #Comofas? :o
    To bege com tudo! kkkkk
    E adorando saber tb ;D

    So que na medida em que ia descendo a barrinha de rolagem, ia aumentando a curiosidade por fotos! e ae pronto, terminou o post!
    KD AS FOTOSSSSSS????? kkkkkkk

    Beijos!

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    Respostas
    1. Vai ter o churrasco das fotos!! Aonde eu vou pegar as fotos do pessoal também...prometo que a paciencia vai valer a pena!!! PROMISSEEEEEEE!!!!!!! :D

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  2. Respostas
    1. hahahahahahahahaahaha...eu também fiquei!!!!

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