Diário de bordo - Pequim Parte I



Depois do terror à bordo, chegamos em Pequim. Para fechar com chave de ouro, não tinha finger então rolou aquele transfer via ônibus mesmo. Quando cheguei a primeira coisa que pensei foi: esse lugar fede.

Eu sei, terrível pensar isso logo no desembarque, mas é a verdade. Depois ponderei melhor os meus pensamentos e antes de começar a julgar toda cidade pelo desembarque, me lembrei que desembarcar no Galeão também é desagradável e em Vitória, dependendo da maré a coisa também não é das mais cheirosas (mais algum aeroporto?).

Antes de desembarcarmos, assistimos aquele super vídeo xing falando sobre a entrada de alimentos de origem animal, vegetal e todo aquele alerta sanitário. No vídeo tinha um cara que não tinha declarado os alimentos e ele aparecia com um laser em formato de X andando pelo aeroporto como se ele tivesse sido marcado e depois ele paga uma fortuna de multa. Isso foi engraçado. Estávamos com um pequeno carregamento de guaranás, farinha, farofa pronta, creme de leite e doce de leite para abastecimento da galera. E eu falei que não íamos declarar nada, porque os tios tinham entrado uma semana antes com 6 garrafas de guaraná cada na mala e tinha dado tudo certo. Na pior das hipóteses eu já estava com o teatro prontinho. Ia chorar, desmaiar e explicar como o creme de leite é fundamental para a sobrevivência de um brasileiro no exterior e que sem farofa, não tem comida. Era uma questão de vida ou morte.

Passamos na imigração sorridentes e respondendo a uma única pergunta. Fiquei chatiadíssima que não pediram se quer meu cartão de vacina contra febre amarela. Ou seja, sofri a toa. Tudo bem. Hora do lenga lenga na esteira e raio x. JC estava praticamente fazendo nas calças de medo do laser na cabeça e dos beagles chineses farejadores de mala. Falei pra ele que se tinha passado até ali, agora a gente ia...não ia deixar de abastecer o primo com doce de leite Mumu! É muita falta de amor!

Passou! Respiramos aliviados e depois que passa, a gente literalmente RI!

Quando saímos, JD estava lá lindo e formoso a nossa espera com aquela cara de poucos amigos às 6 da manhã. Para alegra-lo naquele momento, já coloquei logo um Ah lelek no celular ao melhor estilo Transcol! Ali, ele começou a se arrepender da visita, tenho certeza mas, eu não poderia deixar de proporcionar aos xings tamanho talento da MPB! Inclusive, esta foi a trilha sonora que lancei no voo quando as indianas matracas TENTARAM cochilar no fim da viagem...só tentaram....
Confesso que fiquei extremamente decepcionada com a recepção, porque eu tinha pedido lágrimas, choro de emoção, ataques, mas foi só um "oi, já chegou fazendo feio né" mesmo. Tudo bem, ele vai voltar, né?

Ao sairmos do aeroporto começo o drama do táxi parte I. Vamos lá... Em Pequim você irá encontrar os táxis oficiais e os táxis não oficiais. O problema:

1. Os táxis oficiais, por algum motivo que só o chinês entende, não gostam de levar estrangeiros. Simples assim. Você pode se jogar na frente do carro que eles nem olham. E quando olham fazem de conta que não te viram. Entre muitas táticas está a de atropelar quem está saindo do táxi e já entrar para não dar tempo do xing pensar. Mas, se ele não quiser, ele vai mandar você descer do táxi dele e pronto, vai pegar o chinês que está do seu lado.

2. O táxis não-oficiais AMAM os estrangeiros. Claro, eles cobram o triplo do valor, não rodam o taxímetro e fica tudo certo. Os estrangeiros acham que estão pagando barato, não se estressam com a competição com os xings por um táxi e ficam felizes até...

JD tinha então a missão de encontrar um xing honesto que quisesse rodar o taxímetro, ou que fizesse pelo preço correspondente. Ele parava em um, nada...em outro nada...aí já vem uns 5 gritando o preço, oferecendo e depois saem te xingando porque você não aceitou. Fiquei meio assustada porque para mim, eles todos tem cara daqueles mafiosos chineses que praticam crueldades com os seus reféns. Finalmente achamos um xing que quisesse nos levar.

A primeira impressão foi de espaço. Quem está acostumado com as vias no Brasil, sempre acha bom quando cai em uma via com 5 pistas... Muito espaço....vias amplas......e muito chinês doido. O povo dirige buzinando, freando e seta é só pra informar que você já entrou, porque segundo informações, se você der a seta antes eles te cortam. Passamos por algumas ruas e elas são bem sujas. A impressão era de sujeira.

Chegamos finalmente no condomínio do JD. Descarregamos as tralhas e deixamos o menino dormir mais um pouquinho e aonde e do jeito que eu caí eu dormi. Normal. Acordei com ele me cutucando dizendo que já eram quase meio dia. Minha cabeça estava meio virada com o fuso. Primeiro porque eu não tinha me acostumado com as 5 horas a mais da Espanha e agora, adicionei mais 6!

Mercadinho do condomínio de JD! 


Ele nos levou para comer em um restaurante italiano (mas de xing) que fica ao lado do campus universitário aonde ele estuda mandarim (que por sua vez, fica do outro lado da rua do condomínio). Eu já tinha avisado que não queria comer chinesão e depois da experiencia do voo, todas as possibilidades estavam definitivamente esgotadas.

Andando pela rua (tínhamos que atravessar uma passarela) começou a me bater um certo desespero. Eu olhava ao meu redor e queria correr dali. Os chineses mal educados, esbarram em você e desconhecem a palavra "com licença" ou "me desculpe" nem em mandarim e nem em idioma algum, carrinhos de comida pela calçada com um cheiro insuportável, bicicletas amontoadas em cima da calçada há anos (eles deixam lá quando já não querem mais ou elas não prestam mais) e gente escarrando e cuspindo o tempo todo. A conjuntura era esta.

Chegamos no xing italiano e fiquei meio receosa quando JD disse que a comida era maravilhosa. Estava ali, então não tinha muito o que fazer. Pedimos duas pizzas. Sem dúvidas o preço da comida é algo assustador na China. De tão barato. R$10,00 em uma pizza grande é demais, né? Para a minha surpresa a pizza era realmente maravilhosa e a caprese de entrada também! Juro que nem parecia que tinha sido feito na China. Pensei..."ufa, pelo menos fome eu não vou passar!" 

Saímos de lá e fomos nos encontrar com a galera! Era dia de conhecer a cidade proibida, praça da paz e arredores. E adivinhem só...lá vamos nós de metrô!!!



Metrô na China: ABSURDO. É muita gente, é muito xing, é uma loucura, é gente te empurrando o tempo todo e sempre rola aquela sorte de entrar em um vagão com aquele desodorante de soja vencido. Mas isto também não é exclusividade dos xings. Na Europa também tivemos essa experiencia diversas vezes e qualquer pessoa que usa o transporte público no Brasil sabe que esta é a realidade. O mais legal é que fazíamos baldeação em uma estação meio que central de Pequim, ou seja, ela é LO-TA-DA. O que eles fazem? Pagam uns guardinhas para ficarem empurrando o pessoal pra dentro do vagão. Pensa na minha alegria. E se vocês acham que eu estou exagerando aqui está uma amostra grátis:



É isso aí minha gente. Ganha quem empurrar mais. (Já tô sabendo que o trem em SP não fica nem um pouco pra trás)

Chegamos na cidade proibida e encontramos a galera. Tem todo um esqueminha de segurança para entrar, tem que vistoriar as mochilas e tudo mais. Não passamos por esse controle porque somos muito lindos e acima de qualquer suspeita. Há!



Ali naquele lugar foi um dos meus maiores choques culturais da vida. Eu já tinha ouvido falar por alto, que as criancinhas xings faziam suas necessidades na rua. Mas, contudo, entretanto, eu não imaginava que eram 90% delas e que as roupas já vinha adaptadas para esta realidade. As peças debaixo das crianças tem uma abertura frontal e uma traseira. Assim, simplificando ... deu vontade é só abaixar e fazer! Quando eu vi, um menininho parado em meio ao monumento estatal fazendo xixi como se não houvesse amanhã eu pensei "chega, esse lugar é demais pra mim!" E se você acha que depois a mãe limpa, nem sempre. Fica ali mesmo. Isso sim é choque cultural, minha gente. Desvia do cocô e vai. 

Em meio a tantas novidades, eu confesso que absorvi muito pouco da cidade proibida em si. Estava tão perdida em tantos detalhes culturais que a grandiosidade dos portões e da construção me passou de certa forma batido. Ainda bem que fotografei, se não eu confesso que iria lembrar pouco. A calça rasgada me perturbava.



Fiquei feliz de encontrar o nosso grupo. Todos muito animados e pude dividir um pouco do meu espanto com eles. Vi que eu não era a única em tamanho choque. A alegria da galera era posar próximo aos xings mirins pra ver quem conseguia o melhor ângulo da vestimenta. Muitas risadas.....

De lá fomos para um shopping a céu aberto com diversas lojas: Quiananmen's Hutong. Para minha alegria tinha starbucks, haagen- dazs e coisas similares. Lá fomos mesmo para conhecer. Entramos em um beco e logo estávamos no lado "camelô" do negócio. Que loucura! Todo tipo de roupa, acessório, produto à venda, um empurra empurra, carrinho de comida, aquele cheiro forte e eu com muito enjoo graças ao jet lag. Como eu sabia que o enjoo era do fuso, na parada do Haagen-Dazs me joguei com força no sorvetão e matei a vontade! :)



O plano à partir dali era encontrar os primos trabalhadores no centro! Mais uma voltinha de metrô e lá estávamos nós...

Marcamos de nos encontrar em frete ao shopping e aproveitando que estávamos dentro de um shopping a mulherada fez a parada estratégica do banheiro.

Foi ali que eu descobri que papel higiênico é artigo de luxo e graças a tia Denise que sempre andava com lencinhos de papel na bolsa, pude usar o banheiro "limpo" do shopping. Não me pergunte como as xings fazem. Eu nem procurei me informar. Toda galera reunida (acho que neste dia estávamos em 14), hora da voltinha em grupo!

Estávamos em Wangfujing, uma famosa rua comercial da cidade que tem loja para os bolsinhos mais recheados (Hérmes, LV, Chanel) bem como a maior concentração de lojas centenárias do país. Além disso, conta com uma zona antiga que foi preservada após a remodelação da rua. Era lá nosso destino final: os espetinhos de escorpião e tantas outras delícias...




....Continua


(as fotos são só as do celular!)


Comentários

  1. adorei o mini xing de bumbum de fora!!!!hahahahahahahahahahaha!

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  2. Tô chocada. Apenas. Imagina o cheiro das ruas!!!

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    Respostas
    1. Fede. Apenas. Hahahahahahahahahaha

      Mas eu prometo que tirando o cheiro das barraquinhas de comida, a gente acostuma! :)

      Beijos!!

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